SUS oferece nove novos medicamentos contra o câncer

23 de outubro de 2026

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos de câncer. A iniciativa do Ministério da Saúde prevê beneficiar mais de 116 mil pacientes e representa a maior ampliação de medicamentos oncológicos já realizada na rede pública.

Os novos medicamentos são indicados para 13 diferentes tratamentos, incluindo câncer de mama, próstata, pulmão, estômago, rim e tireoide, além de alguns tipos de linfoma e tumores neuroendócrinos.

Nesta primeira etapa, a distribuição começou em centros especializados de tratamento localizados em todas as regiões do país. A previsão do governo federal é ampliar a oferta para as demais unidades até o fim de 2026.

O investimento anual previsto apenas para a aquisição desses nove medicamentos é de R$ 155,4 milhões. Segundo o Ministério da Saúde, a oferta deverá atender integralmente à demanda pelos produtos contemplados.

Medicamentos disponíveis no SUS

A lista inclui nove medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer e estágios da doença:

  • Trastuzumabe: indicado para câncer de estômago e da junção entre o esôfago e o estômago.

  • Abemaciclibe: utilizado no tratamento de determinados casos de câncer de mama.

  • Acetato de lanreotida: indicado para tumores neuroendócrinos.

  • Pazopanibe: destinado ao tratamento de câncer renal metastático.

  • Rituximabe: utilizado em casos de leucemia linfocítica crônica e determinados tipos de linfoma.

  • Abiraterona: indicado para diferentes estágios do câncer de próstata.

  • Gefitinibe: utilizado no tratamento inicial de determinados tipos de câncer de pulmão.

  • TSH recombinante (alfatirotropina): empregado no tratamento do câncer diferenciado de tireoide, quando há indicação de iodo radioativo.

  • Sunitinibe: indicado para câncer renal metastático e tumores gastrointestinais avançados em situações específicas.

De acordo com o Ministério da Saúde, os tratamentos são definidos conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições de cada paciente. Entre os benefícios esperados estão o aumento da sobrevida e a melhoria da qualidade de vida. Alguns medicamentos também são utilizados após a cirurgia para reduzir o risco de retorno da doença.

Governo prevê ampliar lista até o fim do ano

A ampliação faz parte de uma estratégia do governo federal para fortalecer o atendimento oncológico no SUS. A expectativa é disponibilizar 23 novos medicamentos contra o câncer até o fim de 2026, aumentando em 35% as alternativas terapêuticas na rede pública.

Para viabilizar a medida, o Ministério da Saúde assumiu a compra direta de parte dos medicamentos, articulou negociações para reduzir os preços de outros produtos e ampliou os repasses destinados ao custeio dos serviços oncológicos. O impacto financeiro estimado para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões por ano.

Segundo a pasta, alguns dos medicamentos já haviam sido incorporados ao SUS, mas ainda não eram oferecidos efetivamente nos serviços de saúde, o que mantinha pacientes à espera do acesso aos tratamentos.

SUS também amplia ações de prevenção e diagnóstico

Além dos novos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou medidas para ampliar a detecção precoce de diferentes tipos de câncer.

Uma delas é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais para iniciar o rastreamento do câncer colorretal. O exame é voltado a homens e mulheres sem sintomas, com idade entre 50 e 75 anos, e identifica sinais de sangue oculto nas fezes que podem indicar a necessidade de uma colonoscopia.

O governo também está implementando o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV e ampliará o financiamento de cirurgias oncológicas videotorácicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão. Por serem minimamente invasivos, esses procedimentos podem reduzir o tempo de internação e as complicações após a cirurgia.

As medidas integram o esforço para ampliar o acesso a tratamentos, acelerar diagnósticos e fortalecer a assistência aos pacientes com câncer em todo o país.