Relatório aponta causas da queda em Vinhedo

27 de julho de 2026

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e concluiu que o acidente foi provocado por uma combinação de falhas técnicas, operacionais e organizacionais. A tragédia resultou na morte das 62 pessoas que estavam a bordo da aeronave ATR 72-500, entre passageiros e tripulantes.

Segundo a investigação, o avião enfrentou condições severas de formação de gelo durante o voo, mas decolou com problemas conhecidos no sistema de proteção contra gelo da aeronave. O relatório aponta que o equipamento responsável pelo degelo apresentava falhas e, nas condições meteorológicas previstas para o trajeto, o avião não deveria ter sido liberado para operar.

Os investigadores identificaram que o acúmulo de gelo nas asas comprometeu o desempenho do ATR 72, provocando perda de velocidade, perda de sustentação (estol) e, posteriormente, a perda de controle da aeronave. O avião entrou em um movimento conhecido como “parafuso chato” antes de atingir uma área residencial em Vinhedo.

O relatório também revelou que a tripulação recebeu diversos alertas de baixa velocidade e degradação do desempenho da aeronave, porém os procedimentos recomendados para a situação não foram executados de forma adequada. Para o Cenipa, fatores como distração na cabine e a sobrecarga de tarefas contribuíram para a resposta insuficiente dos pilotos diante da emergência.

Outro ponto destacado pela investigação foi a existência de uma cultura organizacional de omissão de falhas dentro da companhia aérea. Segundo o documento, panes e problemas mecânicos nem sempre eram registrados formalmente nos sistemas de manutenção, permitindo que aeronaves continuassem operando sem a devida correção das irregularidades. Essa prática foi classificada como uma “normalização de desvios”, comprometendo a segurança operacional da empresa.

Além das falhas internas da companhia, o Cenipa também apontou deficiências nos processos de fiscalização e gerenciamento de riscos relacionados à operação da empresa, indicando que os mecanismos de supervisão não foram suficientes para impedir que a aeronave fosse autorizada a realizar o voo nas condições em que se encontrava.

Ao todo, o relatório identificou 19 fatores contribuintes para o acidente, envolvendo aspectos técnicos, humanos, operacionais e organizacionais. Apesar das conclusões, o Cenipa reforçou que sua investigação tem caráter preventivo e não busca atribuir responsabilidades civis ou criminais. O objetivo é identificar as causas do acidente e emitir recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.

A Voepass se manifestou após a divulgação do relatório, afirmando que sempre atuou de acordo com os regulamentos da aviação civil e que irá analisar detalhadamente as conclusões apresentadas pelo Cenipa.

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