Milton Leite é transferido após denúncias de regalias na prisão
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) será transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, após denúncias de supostos privilégios durante o período em que esteve preso. A mudança está prevista para esta terça-feira (20), mas o destino do político não foi divulgado por questões de segurança.
A transferência ocorre em meio a uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura possíveis benefícios irregulares concedidos a presos da unidade. As suspeitas incluem visitas fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos fins de semana, além da possível entrada de objetos proibidos na cadeia.
Investigação apreendeu dinheiro com agente carcerário
No dia 16 de outubro, promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, realizaram uma operação na cadeia e em outros endereços ligados à investigação.
Durante a ação, foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um agente carcerário suspeito de facilitar o tratamento privilegiado. A operação foi denominada Custódia (In)Fiel.
As apurações começaram após uma denúncia anônima indicar que Milton Leite estaria recebendo visitas de políticos e amigos fora dos horários autorizados. Segundo os investigadores, também havia suspeitas de circulação de veículos nas dependências da delegacia vizinha à cadeia, em situações que poderiam estar relacionadas à entrega de objetos.
A investigação busca esclarecer se houve entrada de aparelhos de comunicação ou de outros itens cuja posse não é permitida aos detentos.
O Ministério Público apura possíveis crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação. As suspeitas ainda estão sob investigação, e eventuais responsabilidades deverão ser individualizadas ao longo do procedimento.
Cinco policiais foram afastados
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil também abriu uma investigação para apurar as possíveis irregularidades. Cinco servidores foram afastados de suas funções: três delegados, um investigador e um carcereiro.
As medidas têm como objetivo permitir o andamento das apurações sem possíveis interferências. Foram realizadas diligências na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes e no 1º Distrito Policial do município.
O trabalho inclui a análise de registros de visitas, documentos relacionados à custódia dos presos, escalas de serviço e imagens de monitoramento.
Defesa nega tratamento privilegiado
A defesa de Milton Leite nega que o ex-vereador tenha recebido qualquer tipo de regalia durante a prisão.
Em manifestação, os advogados afirmaram que ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas aos demais detentos. A defesa também declarou não ter tido acesso à investigação conduzida pelo Ministério Público.
Milton Leite está preso desde 18 de setembro de 2026, quando se apresentou à Polícia Civil em Mogi das Cruzes. Ele é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público.
As investigações examinam possíveis ligações entre integrantes da facção criminosa, empresas de ônibus e agentes públicos. Milton é apontado como suspeito de envolvimento no esquema e de ligação com a empresa Transwolff, mas nega as acusações.
O prazo de sua prisão temporária, inicialmente de 30 dias, foi prorrogado por mais 30 dias. Em depoimento, o ex-vereador negou qualquer vínculo com a facção criminosa.
A transferência de unidade prisional ocorre, portanto, no contexto de duas frentes de investigação: uma relacionada às suspeitas de envolvimento com o esquema no transporte público e outra voltada à apuração de possíveis privilégios durante sua custódia.


