Jundiaí contrata iluminação pública por R$ 18,5 milhões sem licitação

29 de julho de 2026

A Prefeitura de Jundiaí firmou um contrato emergencial no valor de R$ 18,5 milhões para a prestação de serviços de iluminação pública no município. A contratação foi realizada com a empresa Ilumina Lux Energia por meio de dispensa de licitação, sob a justificativa de que havia necessidade urgente de garantir a continuidade dos serviços enquanto o processo licitatório regular permanecia suspenso.

A contratação foi homologada pela Secretaria de Infraestrutura após o edital da concorrência pública destinada à escolha da empresa responsável pela iluminação pública ser interrompido devido a questionamentos apresentados ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e a impugnações feitas por empresas interessadas.

Segundo a administração municipal, a suspensão do processo licitatório provocou atrasos na contratação definitiva, tornando necessária a adoção de uma medida emergencial para evitar prejuízos à população e garantir a manutenção da rede de iluminação da cidade.

A Prefeitura informou que os atrasos ocorreram por “fatores externos” e justificou que o contrato emergencial seria uma solução temporária até a conclusão da licitação principal. No entanto, a resposta do município também revelou que a formação dos preços foi baseada em uma cotação direta com apenas um fornecedor, utilizada como referência para validar os valores apresentados na contratação.

Outro ponto que chamou atenção foi a inclusão de serviços de ampliação da rede de iluminação pública dentro do contrato emergencial. Especialistas e órgãos de controle costumam avaliar com cautela esse tipo de procedimento, já que contratos emergenciais, em regra, devem ser utilizados para atender situações imediatas e não para substituir planejamentos de longo prazo.

A chamada “emergência fabricada” é um dos temas frequentemente analisados pelos tribunais de contas. A jurisprudência aponta que problemas relacionados à elaboração de editais, atrasos administrativos ou falhas no planejamento da contratação não devem, em princípio, justificar automaticamente uma dispensa de licitação.

Questionada sobre o caso, a Prefeitura de Jundiaí informou que não abriu uma apuração interna específica para investigar eventuais responsabilidades pelos atrasos que levaram à necessidade da contratação emergencial.

O contrato de R$ 18,5 milhões seguirá em vigor enquanto o município conduz o processo licitatório definitivo para a escolha da empresa responsável pelos serviços de iluminação pública. A contratação envolve atividades como manutenção da rede, atendimento de ocorrências, substituição de equipamentos e demais serviços relacionados ao sistema de iluminação urbana.

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