Câncer de mama: aumento de diagnósticos acende alerta
O número de casos de câncer de mama no Brasil deve aumentar nos próximos anos, refletindo tanto o crescimento da incidência da doença quanto os avanços nos métodos de diagnóstico. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 78.610 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028, contra 73.610 casos anuais previstos para o triênio anterior.
Segundo especialistas, a ampliação do rastreamento e a evolução dos exames permitem identificar mais tumores, inclusive em estágios iniciais. A discussão sobre a realização de mamografias a partir dos 40 anos também contribui para ampliar a detecção da doença em mulheres mais jovens.
De acordo com o oncologista Ângelo Bezerra, o aumento das estimativas não significa necessariamente que todos os casos estejam relacionados a uma piora no cenário da doença. A capacidade de identificar tumores com maior precisão também influencia os números registrados.
Apesar dos avanços, o câncer de mama continua sendo o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. A estimativa nacional corresponde a um risco de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.
Sinais de alerta exigem atenção
Alterações nas mamas devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Nódulos nas mamas ou nas axilas;
- Mudanças na aparência ou na textura da pele;
- Retração ou alterações nos mamilos;
- Saída de secreção pelo mamilo, especialmente com sangue;
- Dores persistentes ou alterações inexplicáveis nas mamas.
A ausência de sintomas, no entanto, não descarta a possibilidade de câncer. Por isso, o acompanhamento médico e os exames de rastreamento indicados para cada mulher são importantes para a detecção precoce.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento
Identificar o câncer de mama no início pode ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar o prognóstico. A mamografia é um dos principais exames utilizados no rastreamento, enquanto outros procedimentos podem ser solicitados conforme a avaliação médica.
O diagnóstico tardio ainda representa um desafio no Brasil. Dados do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama apontam que aproximadamente 51% das mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) recebem o diagnóstico quando a doença já está nos estágios 3 ou 4.
Hábitos saudáveis podem ajudar a reduzir os riscos
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas contribuem para reduzir o risco de desenvolver a doença. Entre elas estão a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado, a alimentação equilibrada e a redução do consumo de bebidas alcoólicas.
A amamentação também é considerada um fator de proteção. Mulheres com histórico familiar importante ou suspeita de predisposição hereditária devem conversar com profissionais de saúde para avaliar a necessidade de acompanhamento específico.
Durante o Outubro Rosa, especialistas reforçam que informação, prevenção, acesso aos exames e diagnóstico oportuno são fundamentais para reduzir os impactos do câncer de mama e ampliar as chances de sucesso do tratamento.


