Vacina contra HPV reduz em 78% lesões pré-cancerígenas em adolescentes

21 de outubro de 2026

As consultas de adolescentes por lesões pré-cancerígenas de alto grau no colo do útero caíram quase 78% após o início da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado foi apontado por um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que reforça a importância da imunização na prevenção do câncer.

A pesquisa analisou dados de adolescentes de 15 a 19 anos atendidas na rede pública de saúde. Em 2011, foram registradas 474 primeiras consultas relacionadas a essas lesões. O número aumentou para 603 em 2015, período próximo ao início da vacinação, mas caiu nos anos seguintes, chegando a 299 em 2019 e a apenas 136 em 2023.

Considerando a proporção de atendimentos a cada 100 mil adolescentes, a taxa também apresentou redução significativa: passou de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023.

Vacinação ajuda a prevenir o câncer

O HPV é o principal responsável pelo câncer do colo do útero. A infecção pode provocar alterações nas células que, quando não identificadas e tratadas, podem evoluir para tumores malignos.

Ao prevenir a infecção pelos tipos de HPV associados ao desenvolvimento da doença, a vacina reduz também o risco de surgimento dessas lesões pré-cancerígenas.

No Brasil, a vacinação contra o HPV começou a ser oferecida pelo SUS em 2014, inicialmente para meninas. Em 2017, a imunização foi ampliada para meninos. Atualmente, a vacina é disponibilizada de rotina para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos.

O estudo também identificou aumento na procura por atendimento relacionado a outras infecções sexualmente transmissíveis entre adolescentes da mesma faixa etária. A taxa passou de 1,7 por 100 mil adolescentes em 2015 para 10,8 em 2023. Para os pesquisadores, esse dado ajuda a indicar que a redução das lesões pré-cancerígenas não ocorreu simplesmente por uma diminuição geral na procura por serviços de saúde.

Milhares de casos podem ter sido evitados

Os pesquisadores estimaram que, entre 2011 e 2019, foram registradas 2.620 primeiras consultas por essas lesões entre adolescentes. Sem a vacinação, a projeção poderia chegar a 7.688 atendimentos, o que representaria aproximadamente 5 mil consultas adicionais.

Os dados utilizados foram extraídos do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS e consideraram registros de primeiras consultas com diagnósticos específicos, associados a pelo menos um procedimento relacionado às lesões.

O câncer do colo do útero está entre os tumores mais frequentes entre as mulheres brasileiras, com cerca de 19 mil novos casos estimados por ano e aproximadamente 7 mil mortes anuais.

Vacinação e exames preventivos são fundamentais

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores destacam que é necessário manter altas coberturas vacinais e ampliar os esforços para alcançar jovens que não receberam a vacina na idade recomendada.

O Ministério da Saúde também mantém estratégias de recuperação vacinal para pessoas de até 19 anos que ainda não foram imunizadas, além de disponibilizar a vacina para determinados grupos considerados mais vulneráveis.

O HPV também está associado a outros tipos de câncer, incluindo os de ânus, pênis, vagina e orofaringe.

Além da vacinação, a realização de exames preventivos, como o Papanicolau, conforme as recomendações de saúde, é importante para identificar alterações e permitir o tratamento adequado antes que evoluam para câncer.