Acordo pode facilitar chegada ao Brasil de novo medicamento contra o HIV
Um acordo firmado entre a farmacêutica Gilead Sciences e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) pode facilitar o acesso de países da América Latina e do Caribe ao lenacapavir, medicamento injetável utilizado na prevenção da infecção pelo HIV e aplicado em intervalos de seis meses.
O entendimento foi anunciado na terça-feira (15) e envolve 14 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil. A iniciativa busca ampliar o acesso ao medicamento em países que não estão contemplados pelos atuais contratos de licenciamento voluntário firmados pela Gilead com fabricantes de medicamentos genéricos.
Na prática, isso significa que o Brasil não está entre os países que poderão contar diretamente com a produção licenciada por fabricantes de genéricos. Por esse motivo, uma eventual aquisição do lenacapavir pelo país dependerá de negociações diretas com a farmacêutica.
Apesar do acordo, o medicamento não estará disponível imediatamente no SUS ou no mercado brasileiro. A iniciativa representa uma possibilidade de facilitar a negociação e o fornecimento, mas ainda existem etapas a serem cumpridas.
Até o momento, a Gilead não informou quanto o medicamento custará, qual quantidade poderá ser destinada ao Brasil ou quando os primeiros lotes poderão ser fornecidos. Também será necessário que cada governo participante avalie e decida formalmente pela adesão à iniciativa.
Lenacapavir já foi aprovado pela Anvisa
No Brasil, o medicamento já avançou em uma etapa regulatória importante.
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do Sunlenca, nome comercial do lenacapavir, como profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).
A autorização contempla adultos e adolescentes a partir de 12 anos de idade, desde que tenham peso mínimo de 35 quilos.
A PrEP é uma estratégia de prevenção destinada a pessoas que não têm HIV, mas apresentam risco de exposição ao vírus. O medicamento atua antes de uma possível exposição para reduzir a possibilidade de infecção.
Uma das principais características do lenacapavir é justamente o intervalo entre as aplicações. Diferentemente de estratégias preventivas que exigem uso diário, a formulação injetável permite uma aplicação a cada seis meses, o que pode representar uma alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades de manter uma rotina diária de medicamentos.
Comercialização ainda depende de definição de preço
Embora a Anvisa tenha autorizado a indicação do medicamento para PrEP, isso não significa que ele tenha sido automaticamente disponibilizado para compra no país.
Para que a comercialização seja iniciada, ainda é necessária a definição do preço máximo permitido no mercado brasileiro pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Essa etapa é importante porque estabelece o limite de preço para a comercialização do produto no Brasil.
Paralelamente, o eventual fornecimento pelo sistema público dependerá de decisões relacionadas à incorporação, negociação de preços, aquisição e definição das estratégias de distribuição.
O que muda com o novo acordo
O entendimento entre a Gilead e a Opas cria uma possibilidade adicional para que os países participantes negociem o acesso ao lenacapavir. No caso brasileiro, porém, ainda não há confirmação de quando o medicamento estará disponível, por qual preço ou em qual quantidade.
Assim, o acordo deve ser entendido como um passo para facilitar futuras negociações, e não como uma liberação imediata do medicamento no país.
O lenacapavir é considerado uma alternativa de prevenção do HIV por combinar alta duração de proteção com apenas duas aplicações por ano, mas seu impacto no acesso à população brasileira dependerá das próximas etapas regulatórias, comerciais e de aquisição.


