Operação contra lavagem mira vereador em Itatiba
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar, foi deflagrada nesta terça-feira (15) para desarticular um suposto esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e monitoramento das forças de segurança em Itatiba, no interior de São Paulo.
Batizada de Operação Nexus, a ação resultou na prisão de seis pessoas e no cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão, sendo 23 em Itatiba e outros três em Campinas. Entre os alvos estão um vereador de Itatiba e um policial militar, investigados por possível ligação com a estrutura criminosa.
Segundo o Gaeco, a investigação identificou uma organização dividida em diferentes núcleos, com funções específicas relacionadas ao comando do grupo, lavagem de dinheiro, gerenciamento das atividades, monitoramento da polícia, abastecimento e distribuição de drogas, além de logística e suporte.
Sistema de monitoramento da polícia
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de um suposto sistema de vigilância permanente, que funcionaria 24 horas por dia para acompanhar a movimentação das forças de segurança em Itatiba.
De acordo com as investigações, o monitoramento permitiria que integrantes do grupo fossem avisados sobre a aproximação de policiais. Com isso, traficantes poderiam esconder drogas, retirar vendedores das ruas e interromper temporariamente as atividades em pontos de venda de entorpecentes.
A estrutura seria parte importante da organização investigada e teria como objetivo dificultar a atuação policial na cidade.
Traficante apontado como líder é preso
Entre os presos está Reginaldo Pereira da Silva, conhecido como “Tim”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais responsáveis pelo esquema e como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ele foi localizado e preso junto com a esposa em um condomínio de alto padrão em Itatiba. Durante as buscas, os policiais encontraram veículos de luxo e dinheiro.
Segundo os investigadores, Tim teria negociado ou adquirido mais de 20 veículos de alto padrão durante o período investigado. Entre as marcas citadas estão Lamborghini, Ferrari e Porsche.
Dois veículos de luxo, incluindo uma Ferrari e um Porsche, foram apreendidos na residência do investigado.
Lojas de carros são investigadas por lavagem
A operação também atingiu três lojas de veículos, sendo duas em Itatiba e uma em Campinas. Os estabelecimentos são investigados pela suspeita de terem sido utilizados para movimentar e ocultar recursos supostamente provenientes do tráfico de drogas.
De acordo com o Gaeco, o empresário responsável pelas lojas teria funcionado como uma espécie de “banco particular” do traficante, realizando operações financeiras para o grupo.
As investigações apontam que os repasses identificados ultrapassam R$ 2 milhões. A polícia também investiga a negociação de veículos de luxo como parte do possível esquema de lavagem de dinheiro.
Vereador de Itatiba é alvo de busca
O vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), conhecido como Duguaca, foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação.
As ordens judiciais foram cumpridas tanto na residência do parlamentar quanto em seu gabinete na Câmara Municipal de Itatiba. Segundo o MPSP, a investigação apura uma possível ligação do vereador com o núcleo responsável pelo monitoramento das ações policiais.
O parlamentar iniciou sua trajetória política em 2021 e foi reeleito em 2024. Atualmente, ocupa o cargo de primeiro-secretário da Câmara Municipal.
A Câmara de Itatiba confirmou o cumprimento do mandado no gabinete e informou que, até o momento, a investigação não está relacionada ao exercício da função parlamentar, à atuação institucional ou a atos praticados em nome do Legislativo.
Policial militar também é investigado
Outro alvo da operação é um policial militar, contra quem foram cumpridos mandados de busca e apreensão pela Corregedoria da Polícia Militar.
Conforme os investigadores, o agente teria uma relação próxima com o principal alvo da operação, o traficante conhecido como Tim. A apuração busca esclarecer qual teria sido a participação do policial na estrutura investigada e se ele teria contribuído para o monitoramento das ações de segurança.
Operação teve apoio do Baep
A ação contou com a participação de promotores do Gaeco e de equipes do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), além da Corregedoria da Polícia Militar.
Os mandados foram cumpridos em diferentes endereços ligados aos investigados, incluindo imóveis residenciais e estabelecimentos comerciais.
Além das prisões e buscas, a operação teve como objetivo reunir documentos, equipamentos, veículos, valores e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a estrutura financeira e operacional do grupo.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e determinar a extensão das atividades atribuídas à organização.
Os citados são investigados, e eventuais responsabilidades criminais ainda deverão ser analisadas no decorrer do processo. As informações divulgadas até o momento têm como base a investigação conduzida pelo Ministério Público e os dados divulgados sobre a Operação Nexus.


