USP e Alemanha criam nova vacina mais segura contra chikungunya

22 de maio de 2026

Pesquisadores brasileiros e alemães desenvolveram uma nova plataforma de vacina contra o vírus chikungunya (CHIKV), responsável pela febre chikungunya, utilizando uma tecnologia inovadora baseada em partículas virais “imaturas”. A proposta busca garantir uma resposta imunológica eficiente sem os riscos associados à replicação descontrolada do vírus no organismo, problema que preocupa especialistas em alguns modelos vacinais mais recentes.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de São Paulo, por meio da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, em parceria com pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha.

A pesquisa ganhou destaque após órgãos reguladores internacionais, como a Food and Drug Administration (FDA) e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), recomendarem a suspensão temporária do uso da vacina IXCHIQ em determinados grupos, principalmente idosos acima de 60 anos.

A decisão ocorreu após o registro de 17 eventos adversos graves associados à vacina, levantando discussões sobre segurança em populações mais vulneráveis e reforçando a necessidade de novas alternativas mais seguras e controladas.

Segundo o pesquisador Danillo Esposito, primeiro autor do estudo e integrante da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP, a principal inovação da nova vacina está justamente na modificação genética aplicada ao vírus chikungunya.

A estratégia científica consiste em bloquear o processo de maturação viral, impedindo que o vírus complete seu ciclo normal de desenvolvimento dentro do organismo. Dessa forma, o imunizante consegue estimular o sistema imunológico sem permitir replicação infecciosa capaz de causar complicações mais severas.

Os pesquisadores afirmam que os resultados obtidos até o momento indicam uma resposta imunológica robusta e potencialmente mais segura para diferentes faixas etárias, incluindo idosos e pessoas com maior vulnerabilidade clínica.

A chikungunya é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. Entre os principais sintomas estão febre alta, dores intensas nas articulações, fadiga e, em alguns casos, sequelas articulares prolongadas que podem afetar a qualidade de vida por meses ou até anos.

Nos últimos anos, o avanço da chikungunya em países tropicais aumentou a pressão internacional pelo desenvolvimento de vacinas eficazes e seguras. O Brasil está entre os países com maior número de casos registrados, principalmente em regiões com alta circulação do mosquito transmissor.

Os cientistas destacam que a nova tecnologia ainda depende de novas etapas de testes e validações regulatórias antes de uma possível aplicação em larga escala, mas os resultados iniciais são considerados promissores para o futuro do combate à doença.

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