Safrinha de inverno fortalece produção de uvas no interior de SP

14 de julho de 2026

O inverno, que para muitos representa apenas temperaturas mais baixas, tem se transformado em um grande aliado dos produtores de uva do interior paulista. A chamada safrinha de inverno vem ganhando espaço nas propriedades rurais, proporcionando frutas de qualidade superior e garantindo uma importante fonte de renda para agricultores que antes dependiam exclusivamente da colheita tradicional de verão.

A técnica consiste em alterar o ciclo natural da videira por meio de uma poda realizada entre o fim de janeiro e fevereiro. Com esse manejo, as plantas voltam a produzir durante os meses mais frios do ano, permitindo uma segunda colheita entre maio e julho. O resultado são cachos com excelente padrão de qualidade, favorecidos pelas condições climáticas típicas do inverno.

As baixas temperaturas, associadas à menor incidência de chuvas, favorecem o acúmulo de açúcar nas frutas. Além disso, a diferença entre dias ensolarados e noites frias contribui para uma coloração mais intensa, aroma marcante e sabor mais adocicado, características bastante valorizadas pelo mercado consumidor.

Na propriedade do produtor Anderson Tomasetto, que cultiva cerca de dois hectares e meio de videiras, a safrinha reúne variedades de mesa como Niágara, Núbia, Vitória e Melodia, bastante procuradas nesta época do ano. Segundo ele, o desempenho da segunda safra tem sido cada vez mais importante para manter a viabilidade econômica da atividade agrícola.

Em Itupeva, outro exemplo do sucesso da produção é a propriedade do agricultor João Leonardo Foga, representante da terceira geração da família dedicada à viticultura. Com aproximadamente 70 mil pés de uva, ele iniciou a colheita da safra de inverno na primeira semana de julho. Para preservar a qualidade dos frutos, toda a plantação é protegida por telas especiais, que ajudam a reduzir os impactos do clima e garantem um produto de alto padrão para comercialização.

A produção abastece importantes mercados consumidores, incluindo Campinas, São Paulo e Belo Horizonte, fortalecendo a economia rural e ampliando as oportunidades de negócios para os viticultores da região. A segunda safra também permite distribuir a renda ao longo do ano, reduzindo a dependência da colheita de verão e trazendo maior estabilidade financeira às propriedades.

Especialistas destacam que regiões como Jundiaí, Itupeva, Louveira e Indaiatuba possuem condições climáticas privilegiadas para esse sistema de cultivo, tornando possível a realização de duas colheitas anuais — uma característica incomum em boa parte das áreas produtoras do país. A combinação entre tradição, conhecimento técnico e manejo adequado tem consolidado a safrinha como uma estratégia cada vez mais importante para a viticultura paulista.

Com frutos mais doces, maior valor agregado e mercado consolidado, a safra de inverno confirma que o frio deixou de ser um obstáculo para se tornar um dos principais aliados da produção de uvas no interior de São Paulo, fortalecendo o agronegócio e garantindo novas oportunidades de lucro aos produtores rurais.

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