O Rio Tietê amanheceu coberto por uma enorme camada de espuma branca nesta quinta-feira (14), em Salto, no interior paulista. O fenômeno chamou a atenção de moradores, turistas e autoridades ambientais após imagens aéreas mostrarem o rio completamente tomado pela espuma nas proximidades do Complexo Turístico da Cachoeira, um dos principais cartões-postais da cidade.
Segundo especialistas e órgãos ambientais, a espuma é causada pela combinação de poluentes, detergentes, esgoto doméstico e resíduos químicos despejados sem tratamento adequado ao longo do curso do rio, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo. Com a força das quedas d’água em Salto, os compostos químicos acabam sendo agitados e formam a espuma tóxica que se espalha pela superfície do Tietê.
De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Rio Tietê recebe cerca de 600 toneladas de lixo e poluentes por dia, situação que vem agravando os problemas ambientais ao longo dos anos. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que as chuvas registradas nos últimos dias ajudaram a arrastar resíduos acumulados nas margens e afluentes para o leito principal do rio, intensificando o fenômeno observado nesta semana.
A Prefeitura de Salto afirmou que o problema é recorrente e voltou a relacionar a situação ao despejo de esgoto sem tratamento vindo da Grande São Paulo. Em nota, o município declarou que o fenômeno só deixará de acontecer quando houver redução efetiva da poluição lançada no rio.
A Defesa Civil e autoridades locais também emitiram alertas para que moradores e visitantes evitem contato com a espuma, já que ela pode provocar irritações na pele, nos olhos e outros problemas de saúde. Apesar dos riscos, o cenário voltou a atrair curiosos e turistas que registraram imagens impressionantes da espuma cobrindo grande parte do rio.
O episódio reacende o debate sobre a poluição histórica do Rio Tietê e a necessidade de investimentos em saneamento básico e tratamento de esgoto em todo o estado de São Paulo. Mesmo após décadas de projetos de despoluição, o rio continua sendo um dos principais símbolos da degradação ambiental urbana no país.