Quase R$ 500 mil destinados à pavimentação são remanejados em Jundiaí e levantam questionamentos sobre prioridades
Um decreto da Prefeitura de Jundiaí que remanejou R$ 462.993,22 originalmente previstos para obras de pavimentação e melhorias viárias tem gerado questionamentos sobre a destinação dos recursos públicos e o planejamento orçamentário da administração municipal.
De acordo com o Decreto nº 36.245, os recursos foram retirados da dotação destinada ao programa de “Pavimentação, Implantação e Retificação de Vias Públicas” e direcionados para a elaboração de projetos, laudos técnicos e demais documentos necessários à regularização do prédio do Paço Municipal.
Em resposta aos questionamentos, a Prefeitura afirmou que o remanejamento não compromete os serviços de manutenção das vias, como operações tapa-buracos e reparos rotineiros. No entanto, a justificativa diferencia manutenção de investimentos em infraestrutura. Enquanto os reparos emergenciais permaneceriam preservados, os recursos retirados pertenciam a uma rubrica destinada a novas pavimentações, ampliações e melhorias na malha viária do município.
Outro ponto levantado envolve a origem da verba. Segundo a administração municipal, os quase R$ 463 mil correspondem a saldos remanescentes de um financiamento obtido junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). A Prefeitura sustenta que esses valores estavam disponíveis e puderam ser utilizados após ajustes financeiros.
Entretanto, surgem dúvidas sobre a utilização desses recursos. Financiamentos internacionais normalmente possuem destinação específica prevista em contrato, o que levanta questionamentos sobre quais obras tiveram seus valores reduzidos para gerar esse saldo e se houve autorização formal da instituição financeira para que os recursos fossem redirecionados para despesas relacionadas ao prédio administrativo do município.
A Prefeitura também justificou o remanejamento afirmando que precisa cumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, referente à obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) do Paço Municipal. Segundo a administração, a realização dos projetos e estudos técnicos é necessária para atender às exigências legais e evitar sanções, incluindo possíveis multas.
Apesar disso, outro aspecto chama atenção. A própria administração reconhece que a necessidade de regularização do prédio existe desde 2012. Diante desse histórico, surgem questionamentos sobre os motivos pelos quais os recursos necessários não teriam sido previstos previamente no orçamento anual, tornando necessário o remanejamento de verbas originalmente destinadas a investimentos em infraestrutura urbana.
Diante das dúvidas, o Portal 7 Cidades informou que protocolou pedidos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), solicitando cópias do Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público, do contrato de financiamento celebrado com a CAF, além da documentação referente à contratação da empresa responsável pelos projetos técnicos e pela elaboração dos documentos que serão custeados com os recursos remanejados.
O caso reacende o debate sobre a definição de prioridades na aplicação dos recursos públicos e sobre o equilíbrio entre investimentos em infraestrutura urbana e despesas destinadas à adequação de prédios públicos. A expectativa agora é pela divulgação dos documentos solicitados, que poderão esclarecer a legalidade do remanejamento e os critérios adotados pela administração municipal.


