Prédio desaba sobre casa e mata moradores na Penha
Um prédio em construção desabou sobre uma residência na madrugada de sábado (12), na Rua Tequici, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo. O acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros durante todo o dia e avançou neste domingo (13) com novas localizações de vítimas entre os escombros.
A estrutura, que tinha aproximadamente 12 andares, caiu por volta das 2h da madrugada sobre uma casa vizinha onde estavam moradores. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o Corpo de Bombeiros localizou o corpo de um homem cerca de 21 horas após o desabamento. Com isso, o número de mortos chegou a três naquele momento, incluindo duas mulheres, uma delas grávida.
As buscas continuaram com a participação de cerca de 70 bombeiros, além de cães farejadores, enquanto os profissionais trabalhavam na retirada cuidadosa dos escombros. A área foi considerada de risco e a operação exigiu atenção para evitar novos desmoronamentos.
A residência atingida pelo prédio era ocupada por várias pessoas. Dois sobreviventes foram resgatados conscientes e encaminhados para atendimento médico. Outras possíveis vítimas ainda eram procuradas pelas equipes de emergência.
Obra já apresentava irregularidades
Um dos principais pontos da investigação é a situação da construção. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a obra apresentava problemas e já havia sido embargada, com registros de irregularidades desde 2021. O imóvel também teria sido alvo de interdição, multas e de uma ação judicial relacionada às condições da construção.
Em 2023, um novo projeto teria sido aprovado para o local, prevendo a demolição da estrutura existente. Uma vistoria realizada posteriormente pela Subprefeitura da Penha teria registrado que a demolição havia ocorrido em 2024. No entanto, informações preliminares levantadas após o acidente indicam que a estrutura antiga pode não ter sido efetivamente demolida.
A Prefeitura determinou uma investigação para verificar como ocorreu o processo de fiscalização e se houve falhas na atuação dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento da obra. A Controladoria-Geral do Município também deverá analisar documentos e procedimentos relacionados ao imóvel.
Polícia e Defesa Civil investigam as causas
A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do desabamento e identificar eventuais responsáveis. A perícia técnica deverá analisar a estrutura e os materiais utilizados na construção, além da documentação referente às autorizações e fiscalizações.
A Defesa Civil também participa dos trabalhos e interditou imóveis próximos ao local como medida preventiva. Pelo menos três residências vizinhas foram interditadas após o acidente, diante do risco provocado pela grande quantidade de entulho e pela possibilidade de instabilidade estrutural.
As fortes chuvas que atingiram São Paulo no fim de semana também estão sendo consideradas pelas autoridades. Entretanto, informações preliminares indicam que o desabamento pode estar relacionado principalmente a problemas estruturais e às condições da própria construção. O governador Tarcísio de Freitas afirmou haver indícios de irregularidades na obra.
Chuva forte atingiu a capital
O desabamento ocorreu durante um período de tempo severo em São Paulo. A capital registrou fortes chuvas, ventos intensos e diversos pontos de alagamento. O Rio Tietê chegou a apresentar elevação significativa, enquanto trechos da Marginal Tietê precisaram ser bloqueados devido aos alagamentos.
A Defesa Civil registrou dezenas de ocorrências no Estado, incluindo quedas de árvores, alagamentos e danos em imóveis. As autoridades mantiveram os alertas para novas tempestades neste domingo (13).
Apesar da proximidade entre os eventos, a relação direta entre as chuvas e o colapso do prédio ainda não foi confirmada. A perícia deverá ser fundamental para determinar se as condições climáticas tiveram alguma influência ou se a causa está ligada exclusivamente a problemas estruturais e à execução da obra.
As buscas por possíveis vítimas continuam enquanto as equipes avançam na remoção dos escombros. A investigação também deverá esclarecer por que uma construção que já apresentava histórico de irregularidades permaneceu em atividade e como ocorreu o processo de fiscalização municipal.


