Preço mais baixo impulsiona entrada ilegal de canetas emagrecedoras do Paraguai no Brasil

13 de julho de 2026

O preço reduzido das chamadas canetas emagrecedoras comercializadas no Paraguai tem impulsionado o aumento da entrada ilegal desses medicamentos no Brasil, acendendo um alerta entre autoridades de saúde e órgãos de fiscalização. A grande diferença de valor em relação aos produtos vendidos regularmente no país tem alimentado um mercado clandestino que cresce rapidamente e preocupa especialistas pelos riscos à saúde dos consumidores.

Medicamentos à base de tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, podem ser encontrados em farmácias paraguaias por valores muito inferiores aos praticados no mercado brasileiro. Essa diferença de preço faz com que muitos consumidores recorram à compra no exterior ou ao mercado ilegal, mesmo sem a garantia de qualidade, procedência e conservação adequada dos produtos.

Apesar de alguns desses medicamentos possuírem registro junto à autoridade sanitária do Paraguai, eles não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil. Por esse motivo, sua importação e venda no país são proibidas, exceto em situações específicas previstas pela legislação.

A Anvisa reforça que a presença do mesmo princípio ativo encontrado em medicamentos aprovados no Brasil não significa que os produtos paraguaios sejam equivalentes em termos de segurança, eficácia e qualidade. Segundo a agência, para que um medicamento seja considerado seguro para uso, é necessário passar por um rigoroso processo de avaliação, que inclui análises de fabricação, controle de qualidade, pureza, estabilidade, eficácia clínica e inspeções nas unidades produtoras.

Outro ponto de preocupação é o transporte dessas canetas. Os medicamentos exigem armazenamento em temperaturas controladas para manter sua eficácia. Durante o contrabando, porém, muitas unidades são escondidas em compartimentos improvisados de veículos, sem refrigeração adequada, o que pode comprometer a estabilidade do produto e aumentar os riscos para quem faz uso dessas substâncias.

Nos últimos meses, a Receita Federal e outros órgãos de fiscalização intensificaram as apreensões de canetas emagrecedoras na fronteira entre Brasil e Paraguai. As autoridades identificaram um crescimento expressivo do contrabando, principalmente em rotas que passam pelo Paraná e Mato Grosso do Sul, responsáveis por grande parte das apreensões realizadas em 2026.

Especialistas alertam que o uso de medicamentos de origem desconhecida pode provocar efeitos adversos graves, além de não oferecer garantia sobre a dosagem correta, esterilidade da solução e ausência de contaminantes. Por isso, a recomendação é que pacientes utilizem apenas medicamentos registrados pela Anvisa e sempre com acompanhamento médico.

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