Mulher é resgatada após 49 anos de trabalho doméstico irregular em Bragança Paulista.

15 de junho de 2026

Uma mulher de 61 anos foi resgatada em Bragança Paulista após viver por aproximadamente 49 anos em condições consideradas análogas à escravidão. A operação foi realizada por órgãos de fiscalização do trabalho após denúncias que apontavam possíveis violações de direitos e exploração laboral.

Segundo as investigações, a vítima começou a trabalhar para a mesma família ainda na adolescência e permaneceu no local por quase cinco décadas exercendo atividades domésticas sem que tivesse acesso aos direitos trabalhistas garantidos por lei. Durante todo esse período, ela não teria recebido salário regular, registro em carteira, férias, 13º salário ou recolhimento de contribuições previdenciárias.

De acordo com os auditores responsáveis pela ação, a mulher vivia em situação de extrema vulnerabilidade e dependência dos empregadores. As apurações indicaram que ela realizava tarefas domésticas diariamente e tinha sua liberdade e autonomia severamente limitadas.

A fiscalização constatou ainda que a vítima residia no imóvel onde trabalhava e mantinha uma relação de dependência econômica e social com a família. Segundo os órgãos envolvidos, a mulher não possuía renda própria nem condições adequadas para exercer livremente suas escolhas pessoais.

Após o resgate, ela foi acolhida por equipes de assistência social e passou a receber acompanhamento especializado. Também foram adotadas medidas para garantir acesso a benefícios sociais, apoio psicológico e orientação jurídica.

Os responsáveis pelo imóvel foram notificados e poderão responder por infrações trabalhistas e outras irregularidades identificadas durante a investigação. O Ministério Público do Trabalho acompanhará o caso e poderá adotar medidas judiciais para assegurar a reparação dos direitos da vítima.

Especialistas destacam que situações de trabalho análogo à escravidão nem sempre estão associadas apenas a atividades rurais ou industriais. Casos envolvendo trabalho doméstico também podem configurar esse tipo de violação quando há exploração, jornadas exaustivas, restrição de liberdade, servidão por dívida ou condições degradantes de vida e trabalho.

O caso chamou a atenção pela longa duração da exploração, considerada uma das mais extensas já registradas em ambiente doméstico na região. As investigações continuam para apurar todos os detalhes e responsabilidades dos envolvidos.

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