Morador de Jarinu cai em golpe do falso INSS

14 de setembro de 2026

Um morador de Jarinu, de 57 anos, foi vítima de um golpe após receber uma mensagem com a promessa de que teria R$ 73.370 para receber de um processo contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O criminoso se passou por representante da Justiça e utilizou informações relacionadas a processos judiciais para dar credibilidade à abordagem.

Segundo o registro da ocorrência, a vítima foi informada de que existia um valor referente a atrasados de um processo do INSS disponível para saque. Durante o contato, o golpista orientou o homem a acessar aplicativos bancários e também enviou um link que simulava uma página relacionada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ao acessar o conteúdo indicado, o celular da vítima teria apresentado problemas e ficado travado. Depois da interação, o homem percebeu que havia movimentações financeiras que não reconhecia em suas contas e cartões.

Entre as operações identificadas estavam R$ 2 mil em crédito pessoal, além de um débito de R$ 1 mil na conta do Banco do Brasil e um prejuízo de aproximadamente R$ 700 no PagBank. Também foi constatada uma movimentação suspeita de cerca de R$ 3,3 mil no cartão de crédito.

O valor de R$ 73.370 citado pelo criminoso, portanto, não corresponde ao prejuízo financeiro da vítima, mas à quantia que teria sido prometida como suposto pagamento de um processo judicial.

Nome usado no golpe aparece em outros casos

Um dos pontos que chamaram a atenção no caso registrado em Jarinu foi o nome utilizado pelo criminoso: “Lúcio Hoffman”.

De acordo com a reportagem, a mesma identidade já apareceu em outros casos envolvendo golpes relacionados a processos judiciais e falsas promessas de liberação de dinheiro. Em uma ocorrência registrada em Ourinhos, no interior paulista, um criminoso teria se apresentado como “Dr. Lúcio Hoffman, do STJ” e utilizado uma abordagem semelhante para convencer uma vítima a realizar transferências. Nesse caso, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 7,5 mil.

O nome também aparece em um processo que tramita na Justiça paulista relacionado a outra suposta fraude. Nesse episódio, uma pessoa identificada como “Lucio Hoffman” teria entrado em contato por videochamada e encaminhado chaves Pix para pagamentos que seriam, supostamente, destinados a guias, custas judiciais e taxas bancárias.

A repetição do nome, entretanto, não significa que seja possível afirmar que se trata do mesmo criminoso ou de uma única quadrilha. A identidade pode estar sendo utilizada como personagem em diferentes golpes.

Golpe usa informações verdadeiras de processos

O chamado golpe do falso advogado ou golpe envolvendo falsos representantes da Justiça tem como uma das principais estratégias o uso de dados reais de processos judiciais.

Os criminosos podem obter informações públicas, como nomes das partes, número do processo e outros dados, e utilizá-las para convencer a vítima de que o contato é legítimo. Depois, afirmam que existe uma quantia disponível para recebimento e passam a exigir pagamentos, transferências ou o acesso a aplicativos bancários.

Em alguns casos, os golpistas também enviam links falsos que imitam páginas de tribunais e órgãos públicos, aumentando a aparência de legitimidade da fraude.

A OAB São Paulo informou que havia registrado 4.388 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado em pouco mais de um ano e meio, demonstrando a dimensão do problema no estado.

Como evitar cair nesse tipo de golpe

A orientação para quem recebe uma mensagem informando sobre dinheiro de processos judiciais é não clicar em links, não fornecer senhas ou códigos e não realizar transferências antes de confirmar a informação.

O ideal é procurar diretamente o advogado responsável pelo processo, utilizando um telefone ou canal de contato já conhecido, e não os dados enviados pelo próprio suposto representante.

Também é importante desconfiar de pedidos de Pix, pagamento de taxas, custas ou depósitos para liberar valores judiciais, principalmente quando acompanhados de pressão para que a operação seja feita imediatamente.

Quem perceber movimentações bancárias desconhecidas deve entrar em contato imediatamente com a instituição financeira, solicitar as medidas de segurança disponíveis e registrar um boletim de ocorrência.

O caso de Jarinu foi registrado no Plantão Policial do município e deverá ser investigado pelas autoridades.

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