Mês de conscientização alerta para o Alzheimer
Não existe uma fórmula capaz de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá a doença de Alzheimer. No entanto, pesquisas apontam que uma parcela relevante do risco de demência está relacionada a fatores que podem ser modificados ao longo da vida.
Uma atualização da Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidados em demência, publicada em 2024, ampliou de 12 para 14 os fatores de risco potencialmente modificáveis. A proposta não significa que o Alzheimer possa ser completamente evitado, mas indica medidas que podem contribuir para diminuir a probabilidade de desenvolvimento da doença ou retardar o aparecimento dos sintomas.
Entre os fatores estão condições de saúde, hábitos de vida, aspectos relacionados à saúde mental e estímulos cognitivos. Confira os principais pontos:
1. Manter a atividade intelectual
A educação e a estimulação cognitiva ao longo da vida contribuem para a chamada reserva cognitiva. Ler, estudar, aprender novas habilidades e manter atividades intelectuais são formas de manter o cérebro ativo.
A construção dessa reserva começa ainda na infância, mas pode continuar durante toda a vida.
2. Controlar a pressão arterial
A hipertensão está entre os fatores relacionados ao risco de demência. A pressão alta pode provocar alterações nos vasos sanguíneos e aumentar a possibilidade de danos cerebrais ao longo do tempo.
Por isso, medir a pressão regularmente e seguir o tratamento indicado por profissionais de saúde são medidas importantes.
3. Controlar o colesterol
O colesterol LDL elevado, especialmente durante a meia-idade, passou a integrar a lista de fatores modificáveis. O controle dos níveis de colesterol faz parte dos cuidados com a saúde cardiovascular e também pode contribuir para a proteção cerebral.
Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico são medidas utilizadas para controlar o colesterol quando necessário.
4. Prevenir e controlar o diabetes
Alterações persistentes nos níveis de açúcar no sangue podem afetar os vasos sanguíneos e contribuir para problemas cardiovasculares e cerebrais.
O acompanhamento da glicemia e o tratamento adequado do diabetes são, portanto, importantes para reduzir fatores associados ao comprometimento cognitivo.
5. Evitar a obesidade
A obesidade está relacionada a diferentes condições que também afetam a saúde cerebral, como hipertensão, diabetes e alterações metabólicas.
A manutenção de um peso saudável, acompanhada de alimentação adequada e atividade física, pode contribuir para reduzir esses fatores de risco.
6. Praticar atividade física
O sedentarismo é outro fator modificável associado ao risco de demência. Caminhadas, corridas, natação, esportes ou outras atividades físicas podem beneficiar a saúde cardiovascular e cerebral.
Além dos efeitos sobre o organismo, algumas atividades também envolvem coordenação, planejamento e tomada de decisões, estimulando diferentes funções cognitivas.
7. Manter uma vida social ativa
O isolamento social também aparece entre os fatores modificáveis. Manter contato com familiares e amigos, participar de atividades culturais, comunitárias e sociais e preservar vínculos presenciais são formas de manter o cérebro estimulado.
A interação social envolve comunicação, memória, atenção e processamento de informações.
8. Cuidar da saúde mental
A depressão está entre os fatores associados ao risco de demência. Sintomas persistentes devem ser avaliados por profissionais de saúde, especialmente quando começam a interferir na rotina.
O tratamento adequado pode envolver acompanhamento médico e psicológico e, quando indicado, medicamentos.
9. Evitar o consumo excessivo de álcool
O consumo excessivo e prolongado de álcool pode provocar danos ao sistema nervoso e está associado a diversos problemas de saúde.
A recomendação é evitar padrões de consumo abusivo e procurar orientação profissional quando houver dificuldade para controlar o uso de bebidas alcoólicas.
10. Tratar a perda auditiva
A perda de audição não deve ser encarada simplesmente como uma consequência inevitável do envelhecimento.
Quando uma pessoa passa a ouvir mal, pode reduzir a participação em conversas e atividades sociais, o que diminui estímulos importantes para o cérebro. Avaliações auditivas e o uso de aparelhos quando indicados podem ajudar a manter a comunicação e a participação social.
11. Cuidar da visão
A perda de visão não tratada também integra a relação de fatores modificáveis. Dificuldades para enxergar podem limitar atividades cotidianas, leitura, interação social e outras formas de estímulo cognitivo.
Por isso, problemas visuais devem ser avaliados e tratados sempre que houver possibilidade de intervenção.
12. Não fumar
O tabagismo prejudica o sistema cardiovascular e pode comprometer a circulação sanguínea, além de estar relacionado a diversos outros problemas de saúde.
Abandonar o cigarro é uma medida importante para a saúde geral e pode contribuir para reduzir fatores associados ao risco de demência.
13. Evitar traumatismos cranianos
Lesões na cabeça, principalmente quando graves ou repetidas, podem estar relacionadas a problemas cognitivos futuros.
Medidas de segurança no trânsito, no trabalho e durante atividades esportivas ajudam a reduzir o risco de traumatismos cranianos.
14. Reduzir a exposição à poluição do ar
A poluição atmosférica também foi incluída entre os fatores potencialmente modificáveis. Embora a exposição individual nem sempre possa ser totalmente evitada, medidas que reduzam o contato com ambientes muito poluídos podem contribuir para a saúde.
O combate à poluição também depende de políticas públicas e de ações coletivas.
Prevenção começa ao longo de toda a vida
Os 14 fatores atualmente relacionados pela Comissão Lancet são: baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, isolamento social, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, colesterol LDL elevado e perda de visão não tratada.
Especialistas ressaltam que essas medidas não garantem a prevenção do Alzheimer. A idade e fatores genéticos, por exemplo, não podem ser modificados. A prevenção deve ser entendida como uma estratégia para reduzir riscos e, em alguns casos, retardar o aparecimento de sintomas.
Por isso, os cuidados não precisam começar apenas na velhice. Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, cuidar da saúde mental e dos sentidos e permanecer física, intelectual e socialmente ativo são medidas que podem contribuir para a saúde cerebral durante diferentes fases da vida.
Também é importante evitar a automedicação ou o uso de suplementos vendidos como produtos para “prevenir” o Alzheimer. Não existe suplemento específico comprovadamente capaz de prevenir a doença, segundo neurologistas ouvidos pela CNN Brasil.


