Médica é investigada por barrar alta de petistas
A Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás (PRE-GO) pediu a investigação da médica Marcella Segato de Sousa Melo, suspeita de orientar profissionais de saúde a não dar alta a pacientes durante o primeiro turno das eleições por serem, segundo ela, em sua maioria, eleitores do PT.
Marcella é ginecologista e obstetra e chefiava o setor de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia. Ela foi afastada das funções enquanto o caso é apurado.
A mensagem que deu origem à investigação foi enviada no dia 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, em um grupo privado de WhatsApp formado por profissionais médicos da maternidade. Segundo os registros divulgados, a médica escreveu que quem estivesse trabalhando na enfermaria durante o sábado e o domingo não deveria dar alta aos pacientes, alegando que “a maioria é petista”.
Prints da conversa mostram que outros integrantes reagiram à mensagem com emojis de risada, sinal de positivo e bandeira do Brasil. Um dos participantes chegou a responder “combinado”. Até o momento, porém, não há confirmação de que algum paciente tenha tido a alta atrasada ou negada por causa de preferência política.
Investigação eleitoral
Segundo a PRE-GO, o caso foi encaminhado ao órgão do Ministério Público Eleitoral responsável pela apuração. O procedimento tramita com acesso restrito e, por isso, a Procuradoria não divulgou detalhes das medidas adotadas.
O órgão informou ainda que tomou medidas preventivas para garantir o livre exercício do voto no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A PRE-GO afirmou que não antecipa qualquer avaliação sobre os fatos que estão sendo investigados.
Além da apuração eleitoral, o caso também é analisado por outras instâncias. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são investigadas sob sigilo e que foram solicitados esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição.
Médica diz que nenhuma alta foi prejudicada
Em manifestação divulgada após o caso, Marcella pediu desculpas às pacientes, familiares, colegas e ao hospital. Ela afirmou que as mensagens não se transformaram em conduta médica e que nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada.
Segundo a médica, todas as liberações ocorreram exclusivamente com base em critérios clínicos e nenhuma avaliação levou em consideração preferência política. Ela também afirmou que o voto é secreto e deve ser respeitado.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do SUS.
O hospital, por sua vez, declarou que as mensagens foram manifestações pessoais feitas em um grupo privado e que não representam o posicionamento da administração. A unidade reforçou que decisões sobre internação, permanência e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente.


