Mais de 80 mil crianças retornaram às famílias biológicas, aponta levantamento no Dia Nacional da Adoção

25 de maio de 2026

O Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, trouxe à tona novos dados sobre o sistema de acolhimento infantil no Brasil e destacou um movimento que vem crescendo nos últimos anos: o retorno de crianças e adolescentes às famílias biológicas.

Segundo levantamentos divulgados durante a Semana Nacional da Adoção, mais de 80 mil crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente conseguiram retornar ao convívio familiar após acompanhamento da Justiça e da rede de proteção social. O número reforça que a reintegração familiar tem sido uma das principais prioridades das políticas públicas voltadas à infância no país.

Especialistas explicam que, antes da adoção, a legislação brasileira determina que sejam esgotadas as possibilidades de permanência ou retorno da criança à família de origem, desde que haja condições adequadas de proteção, segurança e desenvolvimento.

O trabalho envolve atuação conjunta de assistentes sociais, psicólogos, conselhos tutelares, Ministério Público e Poder Judiciário, além do acompanhamento contínuo das famílias em situação de vulnerabilidade.

Apesar dos avanços na reintegração familiar, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à adoção. Dados recentes apontam que milhares de crianças e adolescentes seguem acolhidos em instituições, enquanto cerca de 5 mil continuam aptos para adoção em todo o país.

Grande parte das dificuldades está relacionada ao chamado “perfil desejado” por muitos pretendentes. Crianças mais velhas, grupos de irmãos, adolescentes e menores com deficiência costumam enfrentar mais obstáculos para encontrar uma família adotiva.

Levantamentos do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento mostram que muitos pretendentes ainda priorizam crianças pequenas, sem irmãos e sem problemas de saúde, cenário que reduz as chances de adoção para milhares de jovens acolhidos.

A Semana Nacional da Adoção também tem sido utilizada para ampliar campanhas de conscientização sobre adoção tardia, acolhimento familiar e fortalecimento dos vínculos familiares.

Especialistas defendem que, além da adoção, políticas públicas de assistência social, saúde mental, combate à violência doméstica e apoio financeiro às famílias são fundamentais para evitar o rompimento dos laços familiares e reduzir o número de crianças em instituições de acolhimento.

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