Fim da Orquestra Jazz Sinfônica de Valinhos revolta músicos

4 de novembro de 2026

O encerramento da Orquestra Jazz Sinfônica de Valinhos provocou indignação entre músicos, artistas e representantes culturais do município. A decisão foi oficializada após a aprovação de um projeto de lei apresentado pelo prefeito Franklin Duarte de Lima (PL), que extinguiu o Corpo Musical municipal e encerrou o modelo de financiamento público que mantinha o grupo.

A medida deixou 32 músicos sem a remuneração que recebiam da administração municipal e trouxe incertezas sobre a continuidade dos ensaios e das apresentações. A orquestra, criada em 2018, era considerada um importante projeto cultural da cidade.

O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal em duas votações, realizadas nos dias 20 e 27 de outubro. Na primeira votação, foram 15 votos favoráveis e dois contrários. Na segunda, a proposta recebeu 11 votos a favor e dois contra. A Lei nº 7.004 foi sancionada em 28 de outubro e entrou em vigor imediatamente.

Segundo os músicos, a decisão foi tomada sem diálogo prévio com os integrantes. O baixista Andrés Zúñiga, que participa da orquestra desde sua criação, relatou que os profissionais souberam da proposta quando a primeira votação já estava prestes a acontecer.

Ele também afirmou que, até a divulgação das informações, os músicos não haviam recebido orientações oficiais sobre o futuro das atividades, incluindo a continuidade dos ensaios e a possibilidade de novas apresentações.

Prefeitura defende reorganização dos recursos

A administração municipal e os vereadores favoráveis ao projeto argumentam que a mudança busca reorganizar os investimentos na área cultural e ampliar o acesso da população às atividades gratuitas.

Um dos argumentos apresentados é o custo anual de aproximadamente R$ 624 mil para a manutenção da orquestra, valor que representaria mais de 33% do orçamento da Secretaria de Cultura e Turismo.

Com a extinção do Corpo Musical, os recursos permanecerão na pasta e poderão ser destinados a cursos de formação artística, editais, chamamentos públicos, preservação do patrimônio histórico e outros projetos culturais.

A Prefeitura também defende a descentralização das atividades, com a ampliação da oferta de cursos e ações culturais em diferentes bairros e espaços públicos.

Músicos contestam justificativas

Os integrantes da orquestra questionam os argumentos utilizados para justificar o encerramento. Segundo Andrés Zúñiga, a redução no número de apresentações ocorreu durante a atual gestão municipal, que teria diminuído a participação do grupo em eventos tradicionais da cidade.

De acordo com levantamento citado na reportagem, a orquestra realizou 13 atividades em 2025 e apenas duas apresentações até setembro de 2026. O músico, por sua vez, contabilizou três concertos durante este ano e afirmou que convites para apresentações em Serra Negra e Amparo teriam sido recusados pela Secretaria de Cultura.

Outro ponto de discussão foi a declaração do vereador Jairo Passos (PL), que questionou se os músicos estariam dispostos a realizar apresentações voluntárias em escolas, creches e bairros.

A fala provocou críticas dos profissionais e do Sindicato dos Músicos Profissionais no Estado de São Paulo (SindMUSSP). O vereador afirmou posteriormente que sua intenção era discutir alternativas de financiamento e participação cultural, negando defender a precarização do trabalho artístico ou a obrigatoriedade de apresentações gratuitas.

Sindicato e vereadores estudam medidas

O Sindicato dos Músicos acompanha a mobilização dos profissionais e avalia alternativas para contestar a decisão. O vereador Marcelo Yoshida (PT), que votou contra o projeto, também informou que estuda medidas políticas e jurídicas para tentar reverter a extinção.

Entre as possibilidades estão questionamentos sobre a tramitação legislativa e a ausência de avaliações sobre os impactos culturais e profissionais da medida.

Os músicos também discutem a possibilidade de retomar as atividades de maneira independente, por meio de uma estrutura própria e captação de recursos em leis de incentivo à cultura. Entretanto, a alternativa pode levar anos para se concretizar.

Enquanto isso, os integrantes aguardam definições sobre o futuro da orquestra e dos profissionais que faziam parte do projeto, cuja trajetória foi interrompida após a revogação da legislação municipal

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