Fiéis criticam uso de Nossa Senhora Aparecida em disputa eleitoral

12 de outubro de 2026

Devotos que participaram das celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, nesta segunda-feira (12), em Aparecida, no interior de São Paulo, criticaram o uso da imagem da padroeira do Brasil em disputas políticas. Para eles, a fé religiosa não deve ser utilizada como ferramenta para conquistar votos.

Durante as comemorações no Santuário Nacional, fiéis manifestaram incômodo com a associação da devoção católica a campanhas eleitorais. Parte dos entrevistados destacou que os candidatos deveriam concentrar seus discursos em propostas concretas para o país, em vez de recorrer a símbolos religiosos para fortalecer suas candidaturas.

O tema ganhou força durante a campanha presidencial de 2026, após a circulação de informações falsas sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A controvérsia colocou a imagem da santa no centro do debate político e provocou manifestações de candidatos e apoiadores.

O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, também abordou a polarização durante a missa solene. Em sua homilia, defendeu o diálogo, o respeito às diferenças e a superação do ódio entre pessoas com opiniões divergentes.

Segundo o religioso, a fé não deve servir de justificativa para hostilidades contra quem pensa de maneira diferente. Ele ressaltou que religião e política podem coexistir, desde que haja respeito e compromisso com a convivência democrática.

A celebração reuniu milhares de devotos e contou com a presença de autoridades políticas, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial, não participaram da missa.

As manifestações dos fiéis reforçam o debate sobre os limites entre religião e política em um período de forte polarização eleitoral no país.