Chuvas fazem Cantareira ganhar quase 10 bilhões de litros em 24 horas

12 de setembro de 2026

As fortes chuvas registradas neste início de setembro começaram a melhorar os níveis do Sistema Cantareira, um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo. Entre quinta-feira (10) e sexta-feira (11), os reservatórios receberam quase 10 bilhões de litros de água em apenas 24 horas, no maior avanço diário registrado pelo sistema desde março.

O volume de chuva acumulado também chama atenção. Nos primeiros 11 dias de setembro, o Cantareira já contabilizou 157,1 milímetros de precipitação, praticamente o dobro da média histórica esperada para todo o mês.

Com o aumento das chuvas, o volume útil do sistema passou de 33,1% para 34,8%. Desde o começo de setembro, a alta representa aproximadamente 15,75 bilhões de litros de água incorporados aos reservatórios.

Apesar da recuperação, a situação ainda é considerada de atenção. O Cantareira encerrou agosto com cerca de 33% de sua capacidade e permanece na faixa de Alerta, o que significa que os níveis dos reservatórios ainda estão abaixo do considerado confortável para garantir maior segurança no abastecimento.

Recuperação ainda depende das chuvas

Mesmo com o volume de chuva acima da média neste início de mês, as projeções indicam que o Cantareira poderá terminar setembro com aproximadamente 36% de seu volume útil. Ou seja, a recuperação é positiva, mas ainda não representa uma recomposição suficiente para afastar completamente os riscos relacionados ao período de estiagem.

A expectativa mais otimista está voltada para os próximos meses. Caso as chuvas ocorram dentro das projeções previstas para a primavera, o sistema poderá apresentar uma recuperação mais expressiva e chegar a cerca de 52% do volume útil até o fim de dezembro.

Esse cenário, no entanto, depende diretamente da quantidade e da distribuição das chuvas. Períodos prolongados de tempo seco podem reduzir novamente a entrada de água nos reservatórios e dificultar a recuperação.

Grande São Paulo mantém redução da pressão da água

Enquanto os reservatórios se recuperam, a Grande São Paulo continua enfrentando a redução da pressão da água durante oito horas por noite. A medida faz parte das ações adotadas para preservar os níveis dos mananciais diante das condições ainda delicadas do sistema.

A manutenção ou flexibilização dessas medidas dependerá da evolução dos volumes armazenados e, principalmente, do comportamento das chuvas nos próximos meses.

Para que o Cantareira consiga avançar para níveis mais seguros, a expectativa é de que o período chuvoso contribua de forma consistente para a recuperação dos reservatórios.