Anvisa aprova novo remédio contra enxaqueca

8 de setembro de 2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o registro do Aquipta (atogepanto), medicamento oral desenvolvido pela farmacêutica AbbVie para a prevenção da enxaqueca em adultos. A decisão foi publicada no mesmo dia e representa a chegada de uma nova alternativa terapêutica para pacientes que convivem com crises recorrentes da doença.

O medicamento é indicado para adultos que apresentam pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês. O atogepanto tem como objetivo prevenir o aparecimento das crises e reduzir a quantidade de dias em que o paciente sofre com dores de cabeça ao longo do mês. A aprovação contempla tanto casos de enxaqueca episódica quanto crônica.

Como o medicamento funciona

O atogepanto pertence à classe dos chamados gepantos, medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente em um dos mecanismos envolvidos na enxaqueca.

A substância bloqueia a ação do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), uma molécula envolvida na transmissão da dor e nos processos associados às crises de enxaqueca. Ao interferir nessa via, o medicamento busca impedir ou diminuir a ocorrência das crises.

Uma das características dos gepantos é que eles não atuam provocando vasoconstrição, mecanismo associado a alguns medicamentos utilizados tradicionalmente contra a enxaqueca. Isso amplia as possibilidades terapêuticas para determinados pacientes, embora a indicação e a avaliação de segurança devam ser feitas individualmente por um profissional de saúde.

Estudos demonstraram redução das crises

A aprovação da Anvisa foi baseada em estudos clínicos de fase 3 que avaliaram a eficácia e a segurança do atogepanto em pessoas com diferentes formas de enxaqueca.

No estudo ADVANCE, que envolveu pacientes com enxaqueca episódica, os participantes que receberam atogepanto apresentaram redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, enquanto a redução observada no grupo placebo foi de 2,5 dias. Cerca de 59% dos pacientes tratados apresentaram redução de pelo menos 50% na frequência das crises, contra 29% entre aqueles que receberam placebo.

Já o estudo PROGRESS, voltado para pessoas com enxaqueca crônica, acompanhou 778 adultos durante 12 semanas. Entre os participantes que receberam atogepanto na dose avaliada, houve redução média de 6,9 dias de enxaqueca por mês, enquanto o grupo placebo apresentou redução de 5,1 dias. Também foram observadas melhorias relacionadas à qualidade de vida.

Os resultados indicaram ainda que o medicamento apresentou um perfil de segurança considerado consistente nos estudos. Entre as reações adversas relatadas estavam náusea, constipação e fadiga, geralmente classificadas como leves ou moderadas.

Medicamento será de uso preventivo

Diferentemente de medicamentos utilizados durante uma crise já instalada, o atogepanto tem foco na prevenção. A proposta é reduzir a frequência e a intensidade das futuras crises quando utilizado de forma contínua.

O produto é administrado por via oral e representa uma alternativa para pacientes que precisam de tratamento preventivo, especialmente aqueles que continuam apresentando crises mesmo após o uso de outras opções terapêuticas.

A nova medicação chega ao mercado brasileiro na mesma classe do rimegepanto, outro gepanto que teve o registro aprovado pela Anvisa em maio de 2026. O rimegepanto possui indicações tanto para o tratamento agudo quanto para a prevenção da enxaqueca episódica.

Quando o Aquipta chegará às farmácias?

Apesar da aprovação do registro pela Anvisa, o medicamento ainda não tem data definida para começar a ser vendido nas farmácias brasileiras.

Antes da comercialização, é necessário que o produto passe pelo processo de definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Portanto, a aprovação sanitária não significa que o medicamento já esteja disponível para compra.

Também ainda não há definição sobre uma eventual incorporação do atogepanto ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou sobre sua cobertura pelos planos de saúde.

Enxaqueca afeta milhões de brasileiros

A enxaqueca é uma doença neurológica caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça, geralmente de intensidade moderada a forte. Os episódios podem vir acompanhados de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e aos sons, além de comprometer atividades profissionais, estudos, vida social e rotina familiar.

A doença atinge aproximadamente 15% da população mundial e é considerada uma condição altamente incapacitante. No Brasil, estimativas citadas pela Sociedade Brasileira de Cefaleia apontam que cerca de 30 milhões a 34 milhões de pessoas convivem com a enxaqueca.

Com a aprovação do atogepanto, pacientes brasileiros passam a ter mais uma alternativa de tratamento preventivo, embora o acesso efetivo ao medicamento ainda dependa da conclusão das etapas regulatórias necessárias para sua comercialização no país.