Americanas amplia vendas no 1º trimestre de 2026, reduz prejuízo e aposta em lojas físicas para recuperação

14 de maio de 2026

A Americanas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com avanço significativo nas vendas e melhora nos resultados financeiros, em meio ao processo de reestruturação após a crise contábil revelada em 2023. A companhia registrou crescimento de 19,8% na receita bruta em comparação ao mesmo período do ano passado, reforçando a estratégia de fortalecimento das lojas físicas e integração entre canais digitais e presenciais.

Mesmo com o desempenho positivo nas vendas, a empresa ainda apresentou prejuízo líquido de R$ 329 milhões entre janeiro e março. Apesar do resultado negativo, as perdas diminuíram 33,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025, indicando uma recuperação gradual das operações.

O principal motor do crescimento foi o desempenho das unidades físicas da rede, que movimentaram R$ 3,3 bilhões no período, alta de 16,5%. A estratégia da varejista tem sido priorizar a presença física e reduzir a dependência do ecommerce tradicional, setor que vinha enfrentando dificuldades operacionais e financeiras nos últimos anos.

Entre os destaques do trimestre está o avanço do modelo O2O (online to offline), em que o cliente realiza a compra pela internet e retira o produto diretamente na loja. Essa modalidade alcançou R$ 146 milhões em vendas, crescimento expressivo de 55,8% na comparação anual. Segundo o CEO da empresa, Fernando Soares, a ampla rede de quase 1.500 lojas espalhadas pelo Brasil permitiu acelerar entregas, melhorar a logística e impulsionar as vendas em datas importantes, como a Páscoa.

Enquanto as lojas físicas ganharam protagonismo, o marketplace da companhia sofreu forte retração. O segmento registrou queda de 71,9% e movimentou apenas R$ 10 milhões no trimestre. A empresa agora aposta em novas parcerias digitais, incluindo acordos com a Magazine Luiza, mantendo a retirada em loja como um dos principais diferenciais competitivos da operação.

Nos indicadores operacionais, o Ebitda ficou negativo em R$ 13 milhões. Já o Ebitda ajustado ex-IFRS16 apresentou resultado negativo de R$ 186 milhões, mas com melhora de 23,3% em relação ao ano anterior, sinalizando avanço no controle de custos e na reorganização financeira da companhia.

As despesas relacionadas ao processo de recuperação judicial e às investigações sobre as inconsistências contábeis descobertas em 2023 cresceram 87,6% e somaram R$ 28 milhões no trimestre. Em março deste ano, a empresa protocolou oficialmente o pedido para deixar a recuperação judicial e agora aguarda decisão da Justiça do Rio de Janeiro.

Fundada em 1929, a Americanas mantém atualmente 1.452 lojas em funcionamento no país, além de quase 24 mil funcionários e centros de distribuição em diferentes estados brasileiros. Em 2025, a companhia registrou receita líquida de R$ 12,3 bilhões, enquanto segue tentando recuperar a confiança do mercado e consolidar sua retomada financeira.

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