Advogado teria enviado foto de dinheiro em esquema de propina

28 de agosto de 2026

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Corregedoria da Polícia Civil revelou um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo policiais civis, um advogado e transportadores de cargas ilegais. A investigação aponta que o grupo cobrava grandes quantias em dinheiro para permitir que cargas de eletrônicos irregulares não fossem apreendidas.

Segundo o MP-SP, o advogado Sidiclei da Costa Almeida atuaria como intermediário entre os responsáveis pelas cargas e os policiais investigados. Ele teria participado diretamente das negociações dos valores e, em determinado momento, enviado aos envolvidos uma fotografia de uma caixa contendo diversos maços de dinheiro. A imagem teria sido acompanhada da expressão “caixinha da alegria”, utilizada pelo próprio advogado, de acordo com os investigadores.

A investigação aponta ainda que Sidiclei teria ido pessoalmente até o local onde uma carga havia sido apreendida e orientado um de seus clientes a informar aos policiais um valor inferior ao real. Parte do dinheiro supostamente destinado aos agentes teria sido transferida por Pix para contas indicadas pelo advogado, enquanto outra parcela teria sido entregue em espécie.

O advogado foi preso nesta sexta-feira (28), durante a Operação Merx, deflagrada pelo MP-SP e pela Corregedoria da Polícia Civil. Ao todo, a operação tem sete mandados de prisão contra suspeitos de participação no esquema. Entre os alvos estão quatro policiais civis, além do advogado e de dois homens apontados como responsáveis pelo transporte de cargas de eletrônicos irregulares.

Os policiais investigados são Bruno dos Santos, José Adriano Pereira da Silva Nishi, Marcos Vinícius de Souza Melo e Vagner Ramalho. Conforme a apuração, eles teriam utilizado informações obtidas dentro da própria corporação para acompanhar o deslocamento de caminhões que transportavam produtos trazidos do exterior sem o pagamento de impostos ou sem documentação fiscal.

Após localizar e abordar os veículos, os policiais supostamente exigiam valores para que as mercadorias não fossem apreendidas. Segundo o Ministério Público, a cobrança podia chegar a 70% do valor total da carga, com casos em que a propina teria alcançado R$ 2,3 milhões. Os investigadores afirmam que a prática teria ocorrido pelo menos quatro vezes desde 2024.

Além da cobrança de dinheiro para liberar as mercadorias, o grupo é suspeito de fraudar os registros oficiais das apreensões. Em um dos episódios investigados, uma carga com aproximadamente 4 mil celulares teria sido abordada, mas o registro oficial feito por um dos policiais apontou a apreensão de apenas 250 aparelhos.

Também foram presos ou são alvos da investigação Jonathan Renan Vieira e Thiago Marcel Magnabosco, apontados como pessoas ligadas ao transporte das cargas e ao pagamento das supostas propinas. A investigação busca esclarecer a participação individual de cada integrante e identificar toda a estrutura financeira utilizada nas negociações.

Além de São Paulo, a operação cumpriu mandados no Paraná e em Goiás. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 4 milhões. Três unidades da Polícia Civil também foram alvo de mandados de busca e apreensão: o Distrito Policial de Santana de Parnaíba, o DP de Embu das Artes e o 2º DP de Cotia.

Um investigador da Polícia Civil também foi afastado por decisão judicial. Segundo as apurações, ele teria auxiliado os demais envolvidos monitorando a movimentação dos veículos, embora não tivesse recebido dinheiro diretamente pelo serviço.

As acusações ainda estão sob investigação. As defesas dos policiais e dos demais suspeitos não haviam sido localizadas ou apresentado posicionamento até a publicação das informações.