PM preso após matar mulher em SP; defesa alega motivação política

16 de outubro de 2026

O policial militar André Coelho Maximo da Costa foi preso em flagrante na quinta-feira (15), após atirar e matar Camila Pereira da Silva, de 32 anos, durante uma ocorrência no bairro Parque São Domingos, na zona norte de São Paulo. A defesa do agente afirma que a prisão teve motivação “política e eleitoreira” e sustenta que ele agiu de acordo com os procedimentos operacionais da Polícia Militar.

O caso aconteceu na Rua Coronel José Rufino Freire e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram Camila caminhando com uma faca na mão enquanto três policiais militares da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) acompanham seus movimentos e dão ordens para que ela largue o objeto.

Em seguida, um dos agentes dispara contra a mulher, que cai na rua. O socorro foi acionado, mas a morte foi constatada no local.

Delegado aponta possível excesso no uso da força

O delegado responsável pela ocorrência avaliou que o disparo pode ter sido desproporcional e determinou a prisão em flagrante do policial por suspeita de homicídio.

Segundo o boletim de ocorrência, a análise das imagens indicou que, no momento do disparo, Camila estava a vários metros dos policiais, com os braços baixos. De acordo com a avaliação registrada pela autoridade policial, ela não levantou a faca nem fez um movimento súbito de ataque quando foi atingida.

O delegado também questionou se houve respeito ao princípio do uso progressivo da força, segundo o qual os agentes devem avaliar alternativas menos letais antes de recorrer à arma de fogo, sempre que as circunstâncias permitirem.

A investigação deverá esclarecer a sequência dos acontecimentos e verificar se o policial agiu em legítima defesa ou se houve excesso na intervenção.

Defesa afirma que policial não tinha como recuar

O advogado Mauro Ribas, que representa o soldado, contestou a prisão e afirmou que a medida teve caráter político e eleitoreiro.

Segundo a defesa, o policial acionou a Central de Operações da Polícia Militar desde o início da ocorrência e seguiu os procedimentos operacionais da corporação. O advogado sustenta que o disparo foi efetuado quando o agente entendeu que não havia mais possibilidade segura de recuo.

A defesa também declarou que a prisão provocou preocupação entre integrantes da Polícia Militar, que teriam interpretado a medida como sinal de falta de apoio institucional aos agentes.

As alegações apresentadas pelo advogado deverão ser consideradas no decorrer da investigação.

Como a ocorrência começou

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, três policiais da Rocam realizavam patrulhamento quando uma das motocicletas apresentou um problema mecânico. A equipe parou em uma oficina para verificar a situação.

No local, o ex-companheiro de Camila teria pedido ajuda aos policiais, afirmando que ela estava com uma faca e o ameaçava. Pouco depois, a mulher chegou ao endereço com o objeto.

Durante o depoimento, o soldado afirmou que os agentes ordenaram repetidamente que Camila largasse a faca e parasse de avançar. Ele declarou que a equipe recuou para manter distância, mas que sua movimentação teria sido dificultada por um caminhão estacionado e pelo fluxo de veículos na via.

O policial disse ter considerado que havia risco iminente e que efetuou um disparo para interromper a ameaça. Essa versão é contestada pela avaliação inicial do delegado, baseada nas imagens de segurança.

Polícia Civil e Corregedoria investigam o caso

O soldado foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A arma utilizada foi apreendida para perícia, e a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado pela Corregedoria da corporação.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que não tolera desvios de conduta e que todas as circunstâncias serão rigorosamente apuradas.

O agente permanece sob custódia enquanto o caso é investigado.

Vítima deixou duas filhas pequenas

Camila tinha 32 anos e deixou duas filhas pequenas. Segundo relato de uma tia, a mulher enfrentava problemas graves de saúde e aguardava um transplante de fígado.

A familiar afirmou não ter conhecimento de que Camila tivesse diagnóstico de transtorno psiquiátrico ou doença mental.

A morte reacendeu o debate sobre a atuação policial em ocorrências envolvendo pessoas em possível crise emocional ou de saúde mental. Especialistas defendem que situações desse tipo exigem treinamento específico, tentativa de diálogo, manutenção de distância segura e avaliação de alternativas à força letal sempre que viáveis.

A investigação deverá apurar as circunstâncias da morte e a responsabilidade dos envolvidos.