Mês de conscientização alerta para o Alzheimer

21 de setembro de 2026

Não existe uma fórmula capaz de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá a doença de Alzheimer. No entanto, pesquisas apontam que uma parcela relevante do risco de demência está relacionada a fatores que podem ser modificados ao longo da vida.

Uma atualização da Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidados em demência, publicada em 2024, ampliou de 12 para 14 os fatores de risco potencialmente modificáveis. A proposta não significa que o Alzheimer possa ser completamente evitado, mas indica medidas que podem contribuir para diminuir a probabilidade de desenvolvimento da doença ou retardar o aparecimento dos sintomas.

Entre os fatores estão condições de saúde, hábitos de vida, aspectos relacionados à saúde mental e estímulos cognitivos. Confira os principais pontos:

1. Manter a atividade intelectual

A educação e a estimulação cognitiva ao longo da vida contribuem para a chamada reserva cognitiva. Ler, estudar, aprender novas habilidades e manter atividades intelectuais são formas de manter o cérebro ativo.

A construção dessa reserva começa ainda na infância, mas pode continuar durante toda a vida.

2. Controlar a pressão arterial

A hipertensão está entre os fatores relacionados ao risco de demência. A pressão alta pode provocar alterações nos vasos sanguíneos e aumentar a possibilidade de danos cerebrais ao longo do tempo.

Por isso, medir a pressão regularmente e seguir o tratamento indicado por profissionais de saúde são medidas importantes.

3. Controlar o colesterol

O colesterol LDL elevado, especialmente durante a meia-idade, passou a integrar a lista de fatores modificáveis. O controle dos níveis de colesterol faz parte dos cuidados com a saúde cardiovascular e também pode contribuir para a proteção cerebral.

Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico são medidas utilizadas para controlar o colesterol quando necessário.

4. Prevenir e controlar o diabetes

Alterações persistentes nos níveis de açúcar no sangue podem afetar os vasos sanguíneos e contribuir para problemas cardiovasculares e cerebrais.

O acompanhamento da glicemia e o tratamento adequado do diabetes são, portanto, importantes para reduzir fatores associados ao comprometimento cognitivo.

5. Evitar a obesidade

A obesidade está relacionada a diferentes condições que também afetam a saúde cerebral, como hipertensão, diabetes e alterações metabólicas.

A manutenção de um peso saudável, acompanhada de alimentação adequada e atividade física, pode contribuir para reduzir esses fatores de risco.

6. Praticar atividade física

O sedentarismo é outro fator modificável associado ao risco de demência. Caminhadas, corridas, natação, esportes ou outras atividades físicas podem beneficiar a saúde cardiovascular e cerebral.

Além dos efeitos sobre o organismo, algumas atividades também envolvem coordenação, planejamento e tomada de decisões, estimulando diferentes funções cognitivas.

7. Manter uma vida social ativa

O isolamento social também aparece entre os fatores modificáveis. Manter contato com familiares e amigos, participar de atividades culturais, comunitárias e sociais e preservar vínculos presenciais são formas de manter o cérebro estimulado.

A interação social envolve comunicação, memória, atenção e processamento de informações.

8. Cuidar da saúde mental

A depressão está entre os fatores associados ao risco de demência. Sintomas persistentes devem ser avaliados por profissionais de saúde, especialmente quando começam a interferir na rotina.

O tratamento adequado pode envolver acompanhamento médico e psicológico e, quando indicado, medicamentos.

9. Evitar o consumo excessivo de álcool

O consumo excessivo e prolongado de álcool pode provocar danos ao sistema nervoso e está associado a diversos problemas de saúde.

A recomendação é evitar padrões de consumo abusivo e procurar orientação profissional quando houver dificuldade para controlar o uso de bebidas alcoólicas.

10. Tratar a perda auditiva

A perda de audição não deve ser encarada simplesmente como uma consequência inevitável do envelhecimento.

Quando uma pessoa passa a ouvir mal, pode reduzir a participação em conversas e atividades sociais, o que diminui estímulos importantes para o cérebro. Avaliações auditivas e o uso de aparelhos quando indicados podem ajudar a manter a comunicação e a participação social.

11. Cuidar da visão

A perda de visão não tratada também integra a relação de fatores modificáveis. Dificuldades para enxergar podem limitar atividades cotidianas, leitura, interação social e outras formas de estímulo cognitivo.

Por isso, problemas visuais devem ser avaliados e tratados sempre que houver possibilidade de intervenção.

12. Não fumar

O tabagismo prejudica o sistema cardiovascular e pode comprometer a circulação sanguínea, além de estar relacionado a diversos outros problemas de saúde.

Abandonar o cigarro é uma medida importante para a saúde geral e pode contribuir para reduzir fatores associados ao risco de demência.

13. Evitar traumatismos cranianos

Lesões na cabeça, principalmente quando graves ou repetidas, podem estar relacionadas a problemas cognitivos futuros.

Medidas de segurança no trânsito, no trabalho e durante atividades esportivas ajudam a reduzir o risco de traumatismos cranianos.

14. Reduzir a exposição à poluição do ar

A poluição atmosférica também foi incluída entre os fatores potencialmente modificáveis. Embora a exposição individual nem sempre possa ser totalmente evitada, medidas que reduzam o contato com ambientes muito poluídos podem contribuir para a saúde.

O combate à poluição também depende de políticas públicas e de ações coletivas.

Prevenção começa ao longo de toda a vida

Os 14 fatores atualmente relacionados pela Comissão Lancet são: baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, isolamento social, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, colesterol LDL elevado e perda de visão não tratada.

Especialistas ressaltam que essas medidas não garantem a prevenção do Alzheimer. A idade e fatores genéticos, por exemplo, não podem ser modificados. A prevenção deve ser entendida como uma estratégia para reduzir riscos e, em alguns casos, retardar o aparecimento de sintomas.

Por isso, os cuidados não precisam começar apenas na velhice. Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, cuidar da saúde mental e dos sentidos e permanecer física, intelectual e socialmente ativo são medidas que podem contribuir para a saúde cerebral durante diferentes fases da vida.

Também é importante evitar a automedicação ou o uso de suplementos vendidos como produtos para “prevenir” o Alzheimer. Não existe suplemento específico comprovadamente capaz de prevenir a doença, segundo neurologistas ouvidos pela CNN Brasil.