Morador de Jarinu cai em golpe do falso INSS
Um morador de Jarinu, de 57 anos, foi vítima de um golpe após receber uma mensagem com a promessa de que teria R$ 73.370 para receber de um processo contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O criminoso se passou por representante da Justiça e utilizou informações relacionadas a processos judiciais para dar credibilidade à abordagem.
Segundo o registro da ocorrência, a vítima foi informada de que existia um valor referente a atrasados de um processo do INSS disponível para saque. Durante o contato, o golpista orientou o homem a acessar aplicativos bancários e também enviou um link que simulava uma página relacionada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao acessar o conteúdo indicado, o celular da vítima teria apresentado problemas e ficado travado. Depois da interação, o homem percebeu que havia movimentações financeiras que não reconhecia em suas contas e cartões.
Entre as operações identificadas estavam R$ 2 mil em crédito pessoal, além de um débito de R$ 1 mil na conta do Banco do Brasil e um prejuízo de aproximadamente R$ 700 no PagBank. Também foi constatada uma movimentação suspeita de cerca de R$ 3,3 mil no cartão de crédito.
O valor de R$ 73.370 citado pelo criminoso, portanto, não corresponde ao prejuízo financeiro da vítima, mas à quantia que teria sido prometida como suposto pagamento de um processo judicial.
Nome usado no golpe aparece em outros casos
Um dos pontos que chamaram a atenção no caso registrado em Jarinu foi o nome utilizado pelo criminoso: “Lúcio Hoffman”.
De acordo com a reportagem, a mesma identidade já apareceu em outros casos envolvendo golpes relacionados a processos judiciais e falsas promessas de liberação de dinheiro. Em uma ocorrência registrada em Ourinhos, no interior paulista, um criminoso teria se apresentado como “Dr. Lúcio Hoffman, do STJ” e utilizado uma abordagem semelhante para convencer uma vítima a realizar transferências. Nesse caso, o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 7,5 mil.
O nome também aparece em um processo que tramita na Justiça paulista relacionado a outra suposta fraude. Nesse episódio, uma pessoa identificada como “Lucio Hoffman” teria entrado em contato por videochamada e encaminhado chaves Pix para pagamentos que seriam, supostamente, destinados a guias, custas judiciais e taxas bancárias.
A repetição do nome, entretanto, não significa que seja possível afirmar que se trata do mesmo criminoso ou de uma única quadrilha. A identidade pode estar sendo utilizada como personagem em diferentes golpes.
Golpe usa informações verdadeiras de processos
O chamado golpe do falso advogado ou golpe envolvendo falsos representantes da Justiça tem como uma das principais estratégias o uso de dados reais de processos judiciais.
Os criminosos podem obter informações públicas, como nomes das partes, número do processo e outros dados, e utilizá-las para convencer a vítima de que o contato é legítimo. Depois, afirmam que existe uma quantia disponível para recebimento e passam a exigir pagamentos, transferências ou o acesso a aplicativos bancários.
Em alguns casos, os golpistas também enviam links falsos que imitam páginas de tribunais e órgãos públicos, aumentando a aparência de legitimidade da fraude.
A OAB São Paulo informou que havia registrado 4.388 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado em pouco mais de um ano e meio, demonstrando a dimensão do problema no estado.
Como evitar cair nesse tipo de golpe
A orientação para quem recebe uma mensagem informando sobre dinheiro de processos judiciais é não clicar em links, não fornecer senhas ou códigos e não realizar transferências antes de confirmar a informação.
O ideal é procurar diretamente o advogado responsável pelo processo, utilizando um telefone ou canal de contato já conhecido, e não os dados enviados pelo próprio suposto representante.
Também é importante desconfiar de pedidos de Pix, pagamento de taxas, custas ou depósitos para liberar valores judiciais, principalmente quando acompanhados de pressão para que a operação seja feita imediatamente.
Quem perceber movimentações bancárias desconhecidas deve entrar em contato imediatamente com a instituição financeira, solicitar as medidas de segurança disponíveis e registrar um boletim de ocorrência.
O caso de Jarinu foi registrado no Plantão Policial do município e deverá ser investigado pelas autoridades.


