Prédio desaba sobre casa e mata moradores na Penha

13 de setembro de 2026

Um prédio em construção desabou sobre uma residência na madrugada de sábado (12), na Rua Tequici, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo. O acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros durante todo o dia e avançou neste domingo (13) com novas localizações de vítimas entre os escombros.

A estrutura, que tinha aproximadamente 12 andares, caiu por volta das 2h da madrugada sobre uma casa vizinha onde estavam moradores. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o Corpo de Bombeiros localizou o corpo de um homem cerca de 21 horas após o desabamento. Com isso, o número de mortos chegou a três naquele momento, incluindo duas mulheres, uma delas grávida.

As buscas continuaram com a participação de cerca de 70 bombeiros, além de cães farejadores, enquanto os profissionais trabalhavam na retirada cuidadosa dos escombros. A área foi considerada de risco e a operação exigiu atenção para evitar novos desmoronamentos.

A residência atingida pelo prédio era ocupada por várias pessoas. Dois sobreviventes foram resgatados conscientes e encaminhados para atendimento médico. Outras possíveis vítimas ainda eram procuradas pelas equipes de emergência.

Obra já apresentava irregularidades

Um dos principais pontos da investigação é a situação da construção. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a obra apresentava problemas e já havia sido embargada, com registros de irregularidades desde 2021. O imóvel também teria sido alvo de interdição, multas e de uma ação judicial relacionada às condições da construção.

Em 2023, um novo projeto teria sido aprovado para o local, prevendo a demolição da estrutura existente. Uma vistoria realizada posteriormente pela Subprefeitura da Penha teria registrado que a demolição havia ocorrido em 2024. No entanto, informações preliminares levantadas após o acidente indicam que a estrutura antiga pode não ter sido efetivamente demolida.

A Prefeitura determinou uma investigação para verificar como ocorreu o processo de fiscalização e se houve falhas na atuação dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento da obra. A Controladoria-Geral do Município também deverá analisar documentos e procedimentos relacionados ao imóvel.

Polícia e Defesa Civil investigam as causas

A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do desabamento e identificar eventuais responsáveis. A perícia técnica deverá analisar a estrutura e os materiais utilizados na construção, além da documentação referente às autorizações e fiscalizações.

A Defesa Civil também participa dos trabalhos e interditou imóveis próximos ao local como medida preventiva. Pelo menos três residências vizinhas foram interditadas após o acidente, diante do risco provocado pela grande quantidade de entulho e pela possibilidade de instabilidade estrutural.

As fortes chuvas que atingiram São Paulo no fim de semana também estão sendo consideradas pelas autoridades. Entretanto, informações preliminares indicam que o desabamento pode estar relacionado principalmente a problemas estruturais e às condições da própria construção. O governador Tarcísio de Freitas afirmou haver indícios de irregularidades na obra.

Chuva forte atingiu a capital

O desabamento ocorreu durante um período de tempo severo em São Paulo. A capital registrou fortes chuvas, ventos intensos e diversos pontos de alagamento. O Rio Tietê chegou a apresentar elevação significativa, enquanto trechos da Marginal Tietê precisaram ser bloqueados devido aos alagamentos.

A Defesa Civil registrou dezenas de ocorrências no Estado, incluindo quedas de árvores, alagamentos e danos em imóveis. As autoridades mantiveram os alertas para novas tempestades neste domingo (13).

Apesar da proximidade entre os eventos, a relação direta entre as chuvas e o colapso do prédio ainda não foi confirmada. A perícia deverá ser fundamental para determinar se as condições climáticas tiveram alguma influência ou se a causa está ligada exclusivamente a problemas estruturais e à execução da obra.

As buscas por possíveis vítimas continuam enquanto as equipes avançam na remoção dos escombros. A investigação também deverá esclarecer por que uma construção que já apresentava histórico de irregularidades permaneceu em atividade e como ocorreu o processo de fiscalização municipal.