Gracindo Jr. morre aos 83 anos no Rio de Janeiro

2 de setembro de 2026

O ator e diretor Gracindo Jr. morreu aos 83 anos, na noite de terça-feira (1º de setembro de 2026), em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo filho do artista, Pedro Gracindo. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, Gracindo Jr. recebeu o nome de Epaminondas Xavier Gracindo. Filho do consagrado ator Paulo Gracindo, ele construiu uma carreira de mais de cinco décadas no rádio, teatro, cinema e televisão, tornando-se um dos nomes importantes da dramaturgia brasileira.

A trajetória artística começou ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 1959, Gracindo Jr. fez um teste para a Rádio Nacional, onde passou a trabalhar como ator, redator e disc-jóquei. Na época, seu pai também era um dos grandes nomes da emissora. Paralelamente ao rádio, ele estreou no teatro em 1961.

Participação na história da TV Globo

Gracindo Jr. esteve entre os profissionais que participaram dos primeiros momentos da TV Globo. Ele foi contratado pela emissora antes mesmo de sua inauguração, em 1965, e integrou o elenco da segunda novela exibida pelo canal, “Rosinha do Sobrado”.

Ao longo da carreira, participou de mais de 60 produções para a televisão, incluindo novelas e seriados. Entre seus trabalhos estão “O Bem-Amado”, “O Casarão”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Celebridade”, além de outras produções que marcaram diferentes períodos da televisão brasileira.

Um de seus trabalhos mais lembrados foi “O Casarão”, novela de 1976. Na trama, Gracindo Jr. interpretou o pintor João Maciel durante uma das fases da história, enquanto seu pai, Paulo Gracindo, interpretou o mesmo personagem em outra etapa da vida. A produção acabou proporcionando um dos encontros mais marcantes entre pai e filho na televisão.

Outro destaque foi “Dona Beija”, exibida pela TV Manchete em 1986, na qual Gracindo Jr. interpretou Antônio, personagem que fazia par romântico com a protagonista. O ator também trabalhou em outras emissoras, incluindo a Record, onde participou de novelas como “Cidadão Brasileiro”, “Luz do Sol” e “Rei Davi”.

Também atuou como diretor

Além de atuar diante das câmeras, Gracindo Jr. teve uma importante trajetória nos bastidores. Ele trabalhou como diretor e supervisor de dramaturgia e dirigiu programas de televisão, incluindo “Os Trapalhões”, a partir de 1985.

Sua carreira também passou pelo cinema. Entre os filmes de que participou estão “Os Trapalhões na Serra Pelada”, “O Trapalhão na Arca de Noé”, “Floresta das Esmeraldas”, “Primo Basílio” e “Segurança Nacional”, entre outros.

Período marcado pela ditadura

A trajetória de Gracindo Jr. também foi afetada pela ditadura militar. Militante do Partido Comunista, ele foi cassado em 1964, juntamente com outros artistas, entre eles Dias Gomes e Mário Lago. A medida o impediu de continuar trabalhando na Rádio Nacional naquele período.

Mesmo diante das dificuldades, o artista retomou a carreira e seguiu atuando em diferentes áreas da cultura brasileira, consolidando uma trajetória de mais de 50 anos dedicada à arte.

Últimos anos

Nos últimos anos, Gracindo Jr. passou a levar uma vida mais reservada e estava afastado da televisão. Ele vivia no Rio de Janeiro com a esposa, Daisy Poli, com quem manteve um relacionamento de mais de cinco décadas. O casal teve quatro filhos: Yan, Daniela, Gabriel e Pedro Gracindo.

O velório está marcado para esta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro. O corpo será cremado no local.

A morte encerra uma trajetória de mais de seis décadas ligada às artes e deixa um legado especialmente importante para a história da televisão brasileira, tanto pelos personagens interpretados quanto pelo trabalho desenvolvido atrás das câmeras.