Vitamina D é ligada a melhor desempenho cognitivo
O consumo diário de vitamina D pode estar associado a um melhor desempenho cognitivo em pessoas que apresentam sinais iniciais de perda de memória e outros comprometimentos mentais. A relação foi identificada em um estudo publicado em 13 de junho na revista científica Sleep Medicine, que analisou adultos com comprometimento cognitivo leve e alterações relacionadas ao sono.
O comprometimento cognitivo leve é uma condição caracterizada por dificuldades de memória, atenção, raciocínio ou outras funções mentais que vão além das alterações consideradas normais do envelhecimento. Em alguns casos, o quadro pode anteceder doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, embora nem todas as pessoas com comprometimento cognitivo leve desenvolvam demência.
Estudo avaliou 54 pessoas
A pesquisa acompanhou 54 participantes com 50 anos ou mais, todos com diagnóstico ou suspeita de comprometimento cognitivo leve. Os voluntários passaram por avaliações destinadas a analisar diferentes aspectos das funções cognitivas, incluindo memória, atenção e capacidade de raciocínio.
Os pesquisadores também investigaram a qualidade do sono dos participantes, já que distúrbios do sono podem estar relacionados à saúde cerebral e ao desempenho cognitivo.
Outro fator analisado foi a quantidade de vitamina D consumida diariamente. A partir dessas informações, os cientistas compararam a ingestão do suplemento com os resultados obtidos nos testes cognitivos.
Os dados apontaram que os participantes que consumiam mais de 5.000 unidades internacionais (UI) de vitamina D por dia apresentaram, em média, um desempenho aproximadamente 13% superior nos testes cognitivos quando comparados aos participantes que não utilizavam o suplemento.
Doses menores também apareceram associadas a resultados cognitivos um pouco melhores. No entanto, segundo os pesquisadores, essas diferenças não foram consistentes o suficiente para estabelecer uma relação clara entre a quantidade consumida e o desempenho mental.
Resultado não comprova efeito da vitamina
Apesar dos resultados, os próprios autores destacam que a pesquisa não demonstra que a vitamina D seja responsável pela melhora da capacidade cognitiva. O estudo identificou apenas uma associação entre o consumo do suplemento e os resultados apresentados pelos participantes.
Isso significa que outros fatores podem ter contribuído para as diferenças observadas. Por esse motivo, são necessários estudos adicionais, especialmente pesquisas clínicas capazes de avaliar diretamente se a suplementação de vitamina D pode provocar algum efeito sobre a memória e outras funções cerebrais.
Os pesquisadores consideram que os resultados podem contribuir para novas investigações sobre a relação entre vitamina D, sono e saúde cerebral, principalmente entre pessoas que começam a apresentar alterações cognitivas.
Segundo a pesquisadora Victoria Pak, da Universidade Emory, os resultados podem apontar para uma possível oportunidade de intervenção nas fases iniciais das alterações cognitivas, quando medidas relacionadas à saúde cerebral ainda podem ser consideradas.
A pesquisadora ressalta, porém, que os achados devem ser interpretados com cautela. O estudo não estabelece que a suplementação de vitamina D previna ou trate demência, e o uso de doses elevadas do suplemento não deve ser iniciado por conta própria.
A necessidade de suplementação e a dose adequada devem ser avaliadas individualmente por um profissional de saúde, considerando alimentação, exposição solar, exames laboratoriais, medicamentos utilizados e outras condições de saúde.


