Médicos denunciam atraso de pagamentos de até R$ 50 mil em hospital de Franco da Rocha

15 de julho de 2026

Cerca de 30 médicos que atuam ou atuaram no Hospital Previna, em Franco da Rocha, denunciaram atrasos no pagamento de plantões realizados entre os meses de abril e junho de 2026. Segundo os profissionais, alguns créditos em aberto chegam a R$ 50 mil por médico, situação que tem causado dificuldades financeiras e levado parte da equipe a cobrar providências da empresa responsável pela gestão dos profissionais de saúde.

De acordo com os relatos, os atrasos atingem médicos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e do pronto-socorro adulto. Os profissionais afirmam que tentaram diversas vezes obter informações sobre os pagamentos junto ao setor financeiro da empresa responsável pela contratação das equipes, mas dizem que não receberam respostas satisfatórias.

Um dos médicos que tornou o caso público é o intensivista Pedro Meireles, ex-coordenador da UTI do hospital. Ele afirma que os valores referentes aos plantões realizados em abril e maio não foram pagos dentro do prazo previsto em contrato. Diante da situação, foi enviada uma notificação extrajudicial à empresa em junho, concedendo prazo para a regularização da dívida antes da adoção de medidas judiciais. Segundo o médico, a empresa não respondeu à notificação dentro do período estipulado.

Outro profissional ouvido pela reportagem relatou ter acumulado aproximadamente R$ 50 mil em pagamentos pendentes. Segundo ele, enquanto aguardava o recebimento dos valores, continuava recebendo convites para assumir novos plantões remunerados, o que aumentou a insatisfação entre os médicos afetados. Alguns profissionais afirmam que precisaram recorrer a empréstimos e utilizar recursos próprios para manter as despesas pessoais em dia.

Os médicos também informaram que acionaram o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para comunicar a situação. Até a divulgação do caso, o conselho ainda não havia se manifestado oficialmente sobre as denúncias.

Em nota, a BNG Hub, empresa responsável pela gestão das equipes médicas do Hospital Previna, informou que os atrasos ocorreram em razão de repasses financeiros pendentes que seriam de responsabilidade do hospital. Segundo a empresa, mesmo diante das dificuldades, foram utilizados recursos próprios para manter os atendimentos e, após um acordo com a unidade hospitalar, os pagamentos passaram por um processo de regularização. A BNG afirmou ainda que os débitos com as equipes médicas já haviam sido quitados.

Entretanto, alguns médicos contestaram essa versão e disseram que, até o início desta semana, haviam recebido apenas parte dos valores devidos, permanecendo com créditos pendentes. O caso segue sendo acompanhado pelos profissionais, que aguardam a quitação integral dos pagamentos e não descartam a adoção de novas medidas judiciais caso a situação não seja definitivamente resolvida.

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