SUS pode passar a oferecer canetas de semaglutida para tratamento da obesidade
A proposta busca superar uma das principais barreiras para a incorporação do medicamento: o alto custo estimado para o sistema público. Em avaliação anterior, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) havia rejeitado a inclusão da semaglutida devido ao impacto financeiro, que poderia chegar a aproximadamente R$ 3,7 bilhões em cinco anos, inviabilizando sua adoção naquele momento.
Paralelamente, o Ministério da Saúde, comandado por Alexandre Padilha, anunciou o início de um estudo clínico para avaliar o uso da semaglutida no sistema público de saúde, etapa considerada essencial para embasar futuras decisões sobre a incorporação do tratamento no SUS.
De acordo com a farmacêutica, o medicamento utilizado na pesquisa será o Wegovy, versão da semaglutida indicada especificamente para o tratamento da obesidade. Os pacientes participantes do estudo serão atendidos no Grupo Hospitalar Conceição, localizado na região Sul do país, que servirá como centro de referência para a avaliação dos resultados.
A semaglutida é uma substância originalmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que também demonstrou eficácia no controle do peso corporal. O medicamento atua em áreas do cérebro responsáveis pela regulação do apetite, promovendo sensação de saciedade e retardando o esvaziamento do estômago, o que contribui para a redução da ingestão de calorias e consequente perda de peso.
A possível incorporação do medicamento ao SUS é vista como um avanço importante, já que atualmente não há opções medicamentosas amplamente disponíveis na rede pública para o tratamento da obesidade. Hoje, o principal recurso terapêutico oferecido em casos mais graves é a cirurgia bariátrica, que enfrenta longas filas de espera em diversas regiões do país. Em estados como o Rio de Janeiro, por exemplo, pacientes podem aguardar mais de um ano para realizar o procedimento.
Com o novo pedido e o início dos estudos clínicos, o governo e a indústria farmacêutica buscam alternativas para tornar o tratamento da obesidade mais acessível, equilibrando custo, eficácia e impacto no sistema público de saúde. A decisão final sobre a inclusão do medicamento ainda dependerá da análise técnica da Conitec e dos resultados das avaliações em andamento.


