Trabalho remoto: brasileiros adotam o nomadismo digital
Já pensou em trabalhar remotamente enquanto explora diferentes lugares ao redor do mundo? Essa é a realidade de muitos brasileiros que adotaram o estilo de vida conhecido como nomadismo digital. O termo, criado em 1997 pelos cientistas Tsugio Makimoto e David Manners, combina a ideia dos antigos nômades, que não mantinham uma residência fixa, com o uso de tecnologias digitais que possibilitam o trabalho à distância, sem a necessidade de um espaço físico fixo.
Esse estilo de vida une conectividade e experiências culturais, permitindo que profissionais se conectem a oportunidades de trabalho pela internet enquanto usufruem da liberdade de conhecer diferentes lugares. O publicitário Vinicius Taddone, por exemplo, mudou sua visão sobre trabalho ao se tornar um nômade digital. Antes, acreditava ser indispensável ter um escritório físico. Hoje, ele destaca os benefícios dessa liberdade:
“O maior presente que podemos oferecer aos colaboradores é o tempo livre. Poder trabalhar em diferentes lugares e vivenciar culturas oferece mais energia do que um simples escritório convencional. Além disso, consigo estar mais próximo da minha família, o que é muito valioso para mim.”
O nomadismo digital se fortaleceu globalmente, especialmente após a pandemia de covid-19, que acelerou a adoção do trabalho remoto. Dados divulgados pelo Google em 2025, publicados pela Forbes, mostram que as buscas pelo termo aumentaram 190% em 2024, com um crescimento ainda maior no Brasil, que registrou alta de 250% entre 2022 e 2024.
Esse movimento tem inspirado mudanças radicais na carreira de muitas pessoas, como a empresária Jânia Antoniazi. Após dez anos no setor da moda, ela decidiu apostar no mercado digital como nômade. Jânia relata:
“Minha rotina anterior era muito intensa e eu buscava uma vida mais leve. Passei uma temporada nos Estados Unidos, onde conheci o mercado de afiliados e me apaixonei. Decidi migrar 100% para o mercado digital, conquistando flexibilidade geográfica e de horários que antes não tinha.”
No entanto, o nomadismo digital não é um estilo de vida isento de desafios. Requer grande capacidade de adaptação, disciplina, organização de horários, controle financeiro e atenção aos documentos necessários para trabalhar legalmente em diferentes países.
A jornalista e produtora de conteúdo Priscila Carvalho, que adotou o nomadismo digital desde junho de 2025, comenta sobre sua experiência e preparação:
“Costumo passar entre um e dois meses em cada país e, às vezes, mudo de cidade a cada 15 dias. Sou freelancer e mantenho uma reserva financeira para emergências. Caso necessário, retorno ao Brasil, onde tenho casa e família. Até agora, minha experiência tem sido mais positiva do que negativa.”
Profissões que permitem o trabalho remoto, da medicina à comunicação digital, podem se adaptar a esse modelo. Apesar do seu potencial crescente, o nomadismo digital ainda é praticado por uma parcela pequena da força de trabalho. Atualmente, alguns países oferecem vistos específicos para nômades digitais, mediante comprovação de trabalho remoto.


