Projeto que mapeou o Coliseu de Roma inspira preservação de centros históricos em Amparo
Um projeto inovador desenvolvido pela Unicamp em parceria com a Universidade de Ferrara, na Itália, está aplicando tecnologias avançadas para mapear o centro histórico de Amparo (SP), com o objetivo de criar uma metodologia eficiente para a preservação dos conjuntos urbanos tombados em São Paulo. A iniciativa utiliza equipamentos de ponta, como escaneamento a laser, fotogrametria, drones e levantamentos topográficos, para gerar modelos tridimensionais precisos das construções, que servirão para monitoramento e proteção desses patrimônios diante de intervenções urbanas e riscos ambientais.
Inspirado no trabalho de mapeamento do Coliseu de Roma realizado pelo Laboratório DIAPReM da Universidade de Ferrara, que envolve técnicas de digitalização 3D detalhadas e automáticas, o projeto piloto visa estabelecer uma estrutura integradora de dados regional, nacional e internacional. Essa base metodológica permitirá uma gestão compartilhada e uma atualização constante do patrimônio histórico, facilitando ações de conservação e prevenção contra desafios como enchentes, mobilidade urbana e degradação.
Por que Amparo foi escolhida?
O centro histórico de Amparo foi selecionado por sua riqueza arquitetônica e diversidade de estilos que refletem a transição do período colonial à industrialização paulista. Além disso, o município é um modelo que representa outros 15 centros e conjuntos tombados pelo Condephaat no estado, incluindo cidades como Iguape, São Luiz do Paraitinga, Paranapiacaba e Itu.
Entre 2018 e 2022, o Condephaat avaliou 98 solicitações de intervenções no perímetro tombado de Amparo com base em inventários antigos, o que demonstra a necessidade urgente de atualizar e integrar os dados quanto à preservação urbana.
Tecnologia aplicada e resultados esperados
Durante setembro de 2025, equipes brasileiras e italianas realizaram o levantamento detalhado das edificações, coletando informações georreferenciadas que garantem alta precisão e minimizam erros. O resultado desse trabalho são modelos 3D que abrangem não apenas a arquitetura, mas também aspectos paisagísticos, infraestrutura urbana, mobilidade, recursos naturais e gestão de riscos ambientais.
Segundo o professor Marcos Tognon, especialista em história da arquitetura e patrimônio, o processo de digitalização permitirá a gestão visual integrada do centro histórico, incluindo cores, texturas e posicionamento exatos das estruturas. Isso facilitará a detecção de problemas causados por fatores climáticos, como enchentes provenientes do Rio Camanducaia, além de apoiar melhorias na qualidade urbana.
Parceria internacional e próximos passos
A colaboração com o Laboratório DIAPReM, reconhecido mundialmente pela expertise em modelagem tridimensional e conservação digital do patrimônio – responsável por projetos emblemáticos no Brasil como o Museu do Ipiranga, o MASP e a digitalização do Coliseu de Roma – amplia o alcance científico do estudo.
Os dados coletados serão unificados em um banco colaborativo acessível a ambas as instituições, possibilitando a integração com sistemas nacionais e internacionais de preservação.
O cronograma prevê desenvolvimento metodológico, edição de resultados digitais e apresentação pública no Salone del Restauro 2026, em Ferrara, além de exposições didáticas em Amparo e São Paulo. A expectativa é que este projeto sirva de modelo para a gestão dos 15 centros históricos tombados do Estado de São Paulo.


