Prefeito de Bragança Paulista reage com hostilidade a protesto por falta de pagamentos

13 de fevereiro de 2026

Na manhã desta quinta-feira (12), o prefeito de Bragança Paulista, Edmir Chedid (União Brasil), teve uma atitude controversa durante uma manifestação realizada por educadores na sede da prefeitura. Durante o protesto, que buscava esclarecimentos sobre atrasos nos pagamentos de salários e 13º salário, o prefeito mandou uma das pessoas calar a boca e chegou a tomar o celular de um profissional da imprensa presente no local.

Os manifestantes, compostos por professores e vereadores, compareceram para cobrar explicações a respeito da falta de repasses financeiros para pagamento dos trabalhadores ligados à rede municipal de educação que, segundo eles, estão sem receber.

Posicionamento da prefeitura e diálogo tenso

Em nota oficial, a administração municipal ressaltou respeito aos profissionais da imprensa e lamentou a forma como o diálogo ocorreu. A nota também destaca que a prefeitura não deixou de adotar os procedimentos explicados anteriormente em relação à situação dos pagamentos. Durante as discussões, um dos manifestantes pediu calma ao prefeito, que respondeu: “Não tenho calma”. Quando as manifestantes relataram que estão desempregadas, o prefeito complementou: “Vai ficar desempregada”.

Para tentar aprofundar as negociações, o prefeito reuniu, a portas fechadas, três professores e três vereadores para tratar do assunto.

Déficit financeiro e ação judicial

A situação financeira delicada vem do ano anterior, quando, em dezembro de 2025, a Prefeitura de Bragança Paulista acionou a Justiça ao identificar um rombo superior a R$ 22,4 milhões. As investigações mostram que esses recursos, destinados ao pagamento dos direitos trabalhistas dos colaboradores das creches municipais, desapareceram das contas da organização social Promove, responsável pela gestão dessas unidades até então.

A suspensão dos pagamentos referente ao mês de novembro de 2025 e ao 13º salário mobilizou a prefeitura, que afirmou ter feito todos os repasses em dia. Levantamentos preliminares indicam que parte dos recursos pode ter sido desviada para quitar dívidas da Promove com outros municípios. Em resposta, a 3ª Vara Cível de Bragança Paulista decretou, em 17 de dezembro, o bloqueio judicial das contas das organizações envolvidas, visando assegurar o pagamento dos trabalhadores e proteger os cofres públicos.

Medidas adotadas pela prefeitura

Após o rompimento do contrato com a Promove e outra organização, ICVV, a administração municipal abriu novos processos de contratação com caráter emergencial para garantir a continuidade dos serviços educacionais. A prefeitura ressaltou que as obrigações trabalhistas e processos contratuais são responsabilidade das entidades executoras, conforme a legislação vigente e os contratos firmados.

Visando proteger os direitos dos trabalhadores e evitar a interrupção dos serviços, a prefeitura buscou respaldo jurídico e autorizou judicialmente o pagamento direto dos salários e do 13º salário aos colaboradores afetados. Além disso, manteve reuniões frequentes com sindicatos e funcionários para promover transparência e apoiar a transição.

Os novos processos de contratação estão sendo realizados em regime de mutirão, inclusive com atividades concentradas nos finais de semana, para garantir a substituição das entidades e o início regular das aulas previsto para 19 de fevereiro.

Respostas e posicionamentos

A organização social Promove foi procurada pela reportagem do SBT News, mas não enviou resposta até o momento. A prefeitura reafirmou seu compromisso com a liberdade de manifestação e com o respeito à imprensa, destacando que o jornalista envolvido atua em uma rádio com posicionamento político adversário ao governo municipal.

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