O uso da polilaminina tem ganhado destaque no Brasil e gerado debates entre especialistas, autoridades de saúde e famílias de pacientes. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que já foram registrados 72 pedidos judiciais solicitando a liberação do tratamento.
Desse total, 42 ações foram movidas pelo Cristália, com 38 decisões favoráveis autorizando o uso da substância. O crescimento da demanda está diretamente ligado à repercussão de relatos nas redes sociais, onde pacientes com lesão medular afirmam ter apresentado melhoras após o tratamento.
Apesar da expectativa gerada, a comunidade científica reforça a necessidade de cautela. A polilaminina ainda está em fase inicial de estudos e não possui comprovação de eficácia. O ensaio clínico autorizado até o momento é de fase 1, etapa que tem como objetivo avaliar apenas a segurança do uso em um grupo restrito de participantes.
Outro ponto que preocupa especialistas é a ausência de validação científica robusta. Até agora, os resultados não foram publicados em revistas revisadas por pares, existindo apenas um pré-print com questionamentos sobre a metodologia adotada.
A microbiologista Natalia Pasternak ressalta que ainda não é possível afirmar que o tratamento funcione, destacando a importância de aguardar evidências mais consistentes antes de qualquer conclusão.
Enquanto isso, decisões judiciais continuam permitindo o uso da polilaminina em caráter experimental, levantando um debate sensível sobre o equilíbrio entre a esperança de pacientes, a urgência por tratamentos e a segurança baseada em evidências científicas.