Após pressão popular, Câmara de Francisco Morato recua e retira empréstimo de R$ 95 milhões da pauta

2 de abril de 2026

A sessão da Câmara Municipal de Francisco Morato, realizada nesta quinta-feira (1º de abril), foi marcada por forte mobilização popular e acabou forçando um recuo no andamento de um projeto polêmico do Executivo.

O prefeito Ildo Gusmão havia solicitado autorização para a contratação de um novo empréstimo de até R$ 95 milhões. No entanto, diante da pressão de moradores que compareceram em peso à Câmara, a proposta deixou de tramitar em regime de urgência.

O projeto reacendeu um debate já presente na cidade. Isso porque a atual gestão já realizou outros financiamentos recentes que somam cerca de R$ 50 milhões. Segundo lideranças da oposição, ainda não há clareza sobre a aplicação desses recursos nem resultados concretos percebidos pela população.

Durante a sessão, moradores expressaram indignação com a situação da cidade. Entre as principais queixas estão o aumento de impostos, como o IPTU, e a ausência de melhorias visíveis no cotidiano.

“Já aumentaram o IPTU, fizeram empréstimos, e o que a gente vê é lixo nas ruas”, relatou um munícipe. Outro morador afirmou que promessas antigas seguem sem cumprimento: “Disseram que iam asfaltar minha rua, já pegaram dinheiro e continua tudo esburacado”.

Para o opositor Douglas Cavalcante, o problema vai além da falta de recursos. Segundo ele, a gestão enfrenta dificuldades em entregar serviços básicos à população.

“O prefeito aumentou impostos, criou taxas, contratou empréstimos e, mesmo assim, não consegue manter a cidade. Falta zeladoria, tem ambulâncias paradas há mais de um ano e a insegurança cresce com o avanço da cracolândia. E agora quer fazer uma nova dívida que será paga pela população”, criticou.

Apesar da retirada do regime de urgência, o projeto não foi arquivado. De acordo com o presidente da Câmara, Marrone, a proposta seguirá tramitando pelas comissões da Casa antes de ser levada à votação em plenário.

O episódio evidencia o aumento da pressão popular sobre a administração municipal e sinaliza que novos embates devem ocorrer até a decisão final sobre o empréstimo.

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