1. Ministério Público é acionado após boicote em Atibaia

5 de novembro de 2026

Um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em Atibaia, no interior de São Paulo, está organizando listas de boicote contra comerciantes identificados como simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa também reúne mensagens com conteúdo violento direcionado a petistas e ao próprio presidente, segundo registros divulgados nesta semana.

O grupo, denominado Empreendireita, foi criado em 31 de outubro pelo empresário Fabiano Golffeti, seis dias após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Na apresentação, os integrantes afirmam defender a livre iniciativa e o livre comércio, além de propor o fortalecimento de empresas e profissionais que compartilhem os mesmos posicionamentos políticos.

Entretanto, conversas compartilhadas no grupo mostram manifestações que vão além da defesa de preferências comerciais. Uma das mensagens apresenta a imagem de uma arma de fogo acompanhada de comentários sobre violência contra pessoas identificadas como petistas. Outra publicação sugere o envenenamento de Lula durante uma internação hospitalar.

A organização de listas de estabelecimentos e profissionais supostamente ligados ao PT também provocou reação política. O deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) encaminhou um ofício ao Ministério Público de São Paulo solicitando a investigação da iniciativa e de uma possível participação de agentes públicos.

O parlamentar também acionou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP). A preocupação envolve relatos de ameaças de demissão, dispensas e dificuldades de contratação motivadas por posicionamentos políticos.

O caso também levantou questionamentos sobre possíveis impactos econômicos para comerciantes e trabalhadores que podem sofrer retaliações por suas opiniões ou preferências eleitorais.

Em resposta, o empresário Fabiano Golffeti afirmou que as ações do grupo estariam amparadas pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre liberdade de expressão e direitos da personalidade.

A situação também gerou cobranças por um posicionamento do prefeito de Atibaia, Daniel Martini (PL). Até a divulgação das informações, a Prefeitura não havia apresentado manifestação sobre o episódio.

O caso deverá ser analisado pelo Ministério Público, que recebeu o pedido de apuração sobre as listas de boicote e as possíveis ameaças relacionadas à iniciativa.

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