Janones rejeita ministério e aposta em mobilização pró-Lula
O deputado federal André Janones (Rede-MG) decidiu não assumir um ministério no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar afirma que poderá contribuir mais com o governo permanecendo na Câmara dos Deputados, onde pretende continuar mobilizando apoiadores e articulando ações para fortalecer a base governista diante de um Congresso com forte presença da oposição.
A decisão foi justificada pelo próprio deputado, que considera que um cargo no Executivo poderia limitar sua atuação devido às responsabilidades administrativas e às obrigações burocráticas de um ministério.
Em declaração publicada nas redes sociais, Janones afirmou que deseja manter liberdade para atuar politicamente e continuar desenvolvendo o trabalho de mobilização digital realizado durante a campanha eleitoral.
“Não posso ter as amarras da liturgia de um cargo, nem ficar preso em compromissos burocráticos. O único lugar aonde eu conseguirei entregar ao presidente Lula exatamente o mesmo que neste segundo turno, é na Câmara dos Deputados!”, declarou.
Canal com mais de 10 milhões de seguidores
Um dos principais instrumentos de atuação do deputado é o canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, criado para mobilizar apoiadores do presidente. A plataforma ultrapassou a marca de 10 milhões de participantes durante o período eleitoral e ganhou destaque pela estratégia de comunicação direta com os eleitores.
Segundo Janones, assumir um ministério representaria uma zona de conforto, enquanto permanecer no Legislativo permitiria dar continuidade à mobilização e ajudar Lula a obter apoio político para sua gestão.
“Um ministério seria minha zona de conforto, mas o que eu quero é ajudar o presidente com o exército para que ele tenha a melhor avaliação de um mandato de toda a vida dele!”, afirmou.
A intenção do parlamentar é manter os canais digitais ativos e direcionar a mobilização para temas de interesse do governo, além de estimular a participação dos apoiadores nos debates e nas pautas em discussão no Congresso Nacional.
Oposição terá presença expressiva no Congresso
A estratégia anunciada por Janones ocorre em um cenário de fortalecimento da oposição no Legislativo. O PL, principal partido de oposição ao governo, terá 121 deputados federais e 29 senadores, formando as maiores bancadas nas duas Casas.
O deputado pretende utilizar sua atuação nas redes sociais para mobilizar a militância e ampliar a pressão popular em torno de projetos e decisões que envolvam o governo federal.
Atuação ganha projeção internacional
A estratégia digital desenvolvida por Janones durante a campanha também despertou interesse fora do Brasil. O parlamentar passou a participar de conversas sobre mobilização política e comunicação nas redes sociais em outros países.
No início de novembro, ele esteve em Buenos Aires, na Argentina, onde se reuniu com a ex-presidente Cristina Kirchner e com o ex-ministro da Economia Sergio Massa. Os encontros tiveram como tema a troca de experiências sobre estratégias digitais e articulação política, com foco na oposição ao presidente argentino Javier Milei e nas eleições previstas para 2027.
Com a decisão de permanecer na Câmara, Janones pretende conciliar o mandato parlamentar com a atuação nas redes sociais, mantendo o canal “Exército do Lula” como ferramenta de mobilização e apoio político ao governo.


