Flávio Bolsonaro não entrega passaporte à PF e descumpre ordem de Moraes

27 de outubro de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não entregou os passaportes à Polícia Federal (PF) dentro do prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações divulgadas nesta terça-feira (27). A decisão judicial estabeleceu um período de 24 horas para que o parlamentar apresentasse os documentos às autoridades.

A determinação foi assinada no domingo (25), após o segundo turno das eleições presidenciais, e prevê o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, além da proibição de deixar o país.

A medida foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Os dois mantêm relação de amizade, mas negam irregularidades.

Decisão também proíbe contato com advogado

Além da entrega dos documentos, Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro não mantenha contato com Willer Tomaz, seja diretamente ou por intermédio de terceiros.

A investigação ganhou força após a Polícia Federal identificar informações que apontariam uma possível ligação do senador com uma conta bancária vinculada a uma empresa relacionada ao advogado. Segundo os investigadores, Flávio teria figurado como “usuário master” da conta, condição que poderia permitir acesso ampliado e gerenciamento das operações bancárias.

A apuração busca esclarecer a natureza dessa relação, a eventual participação do parlamentar nas movimentações financeiras e se houve prática de crimes. A existência de registros ou vínculos investigados, por si só, não comprova irregularidades.

Flávio afirma que vai se defender

Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que foi intimado pela Polícia Federal quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

O senador declarou que cumpriria a determinação e entregaria os passaportes, mas criticou a decisão, classificando-a como uma tentativa de intimidação. Ele também afirmou que nunca teve intenção de deixar o Brasil.

A medida judicial ocorreu depois de declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que havia defendido que Flávio deixasse o país caso perdesse a disputa presidencial.

Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente no segundo turno de domingo (25).

Investigação segue no Supremo

O caso tramita no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes. A Polícia Federal deverá dar continuidade às diligências para esclarecer os fatos e verificar o eventual envolvimento dos investigados nas suspeitas levantadas.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que a relação com Willer Tomaz é de amizade. As suspeitas ainda dependem de apuração e análise judicial.