Polícia apura supostas regalias a Milton Leite na prisão

17 de outubro de 2026

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo ouviu neste sábado (17) três agentes ligados à cadeia pública de Mogi das Cruzes, onde está preso o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil). A investigação apura suspeitas de irregularidades e favorecimento a presos na unidade.

Entre os ouvidos estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margareth Barreto, o delegado responsável pelo 1º Distrito Policial do município e um carcereiro. Os depoimentos fazem parte de uma correição extraordinária aberta após uma operação do Ministério Público realizada na sexta-feira (16).

Polícia apura supostas regalias a Milton Leite na prisãoInvestigação apura benefícios irregulares na cadeia

A apuração começou após denúncias de que Milton Leite estaria recebendo tratamento diferenciado durante o período de prisão. Segundo informações investigadas pelo Ministério Público, haveria visitas fora dos dias e horários permitidos, além de possíveis benefícios incompatíveis com as regras de custódia.

O Ministério Público também apura a suspeita de que um carcereiro facilitava as supostas irregularidades. Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil com o servidor, incluindo valores encontrados em sua residência e durante as buscas na unidade prisional.

A Corregedoria pretende verificar os procedimentos adotados na cadeia e a atuação dos policiais responsáveis pela custódia dos presos. Documentos recolhidos durante a operação deverão auxiliar na análise de possíveis falhas administrativas.

Defesa nega regalias

A defesa de Milton Leite negou que o ex-parlamentar tenha recebido ou receba qualquer privilégio na prisão. Os advogados também afirmaram não ter acesso à investigação conduzida pelo Ministério Público e se colocaram à disposição para colaborar com os esclarecimentos.

Milton Leite está preso desde 18 de setembro, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo e possíveis conexões com agentes públicos.

O ex-presidente da Câmara é suspeito de envolvimento com uma organização criminosa, mas nega as acusações. A prisão temporária foi prorrogada pela Justiça por mais 30 dias.

As investigações sobre as supostas regalias na cadeia são distintas da apuração sobre possíveis vínculos com o PCC e seguem em andamento.