Celular de Vorcaro não tem registros de suposto patrocínio a filme sobre Lula
A análise do conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, não identificou mensagens ou registros que comprovem um suposto pagamento para financiar o documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dirigido pelo cineasta Oliver Stone. A informação foi publicada pelo UOL nesta sexta-feira (9), após a divulgação de um áudio atribuído ao empresário, no qual ele afirma ter bancado a produção.
Segundo reportagem da revista Veja, Vorcaro teria afirmado que destinou cerca de R$ 30 milhões, em dinheiro vivo, ao financiamento do documentário e mencionado repasses ao Instituto Lula. As alegações provocaram repercussão política a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Entretanto, de acordo com a apuração do UOL, as conversas encontradas no celular do ex-banqueiro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025, não apresentam registros de pagamentos ou negociações relacionados ao filme sobre Lula.
Polícia Federal e PGR contestam informações sobre delação
A Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa de Vorcaro negaram que o empresário tenha prestado depoimento ou apresentado documentos com o conteúdo relatado pela revista.
Em nota, a PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com as informações divulgadas e tampouco entregou documentos ou anexos à instituição com esse teor. Integrantes da PGR também negaram a existência de um anexo específico sobre o suposto financiamento.
As propostas de delação premiada apresentadas pelo ex-banqueiro foram rejeitadas. Segundo informações divulgadas, a colaboração não apresentou elementos novos considerados suficientes para justificar o avanço do acordo.
A ausência de registros no celular não comprova, isoladamente, que eventuais pagamentos nunca ocorreram. No entanto, até o momento, a apuração do UOL não encontrou evidências documentais que confirmem o suposto patrocínio ao documentário sobre Lula.
Conversas citam produções sobre Bolsonaro e Temer
O material extraído do celular contém referências a negociações relacionadas a produções audiovisuais envolvendo Jair Bolsonaro (PL) e Michel Temer (MDB). Não foram identificadas, porém, conversas sobre o financiamento do documentário de Lula.
O filme sobre o atual presidente foi dirigido por Oliver Stone e lançado em 2024. O cineasta também negou ter recebido financiamento de Vorcaro para a produção.
As informações sobre o suposto patrocínio ao documentário de Lula também apresentam divergências em relação a outros relatos atribuídos ao ex-banqueiro, especialmente quanto à forma como os recursos teriam sido repassados.
Campanha de Lula anuncia medidas judiciais
Após a divulgação das acusações, a campanha de Lula classificou o caso como uma tentativa de prejudicar eleitoralmente o presidente às vésperas da votação. A defesa anunciou cinco medidas, incluindo pedido de direito de resposta, solicitação de investigação pela Polícia Federal, ação por danos morais, pedido à Justiça Eleitoral para impedir o uso das acusações na propaganda eleitoral e queixa-crime contra Vorcaro.
A campanha também acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, de atuar em conjunto com o ex-banqueiro para interferir no processo eleitoral. A acusação foi apresentada pelos representantes do petista, mas não havia comprovação pública de uma articulação entre Flávio, Vorcaro e a revista responsável pela publicação.
Flávio, por sua vez, afirmou que foi injustiçado pelas críticas relacionadas à sua relação com o ex-banqueiro. O senador também voltou a defender que não houve irregularidade no pedido de patrocínio para o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
O suposto financiamento do documentário sobre Lula segue cercado de questionamentos. A origem do áudio divulgado, a autenticidade das declarações atribuídas a Vorcaro e a existência de eventuais pagamentos ainda precisam ser esclarecidas.
As informações disponíveis até esta sexta-feira (9) não comprovam o suposto repasse de R$ 30 milhões para a produção do filme sobre Lula.


