Brasil começa produção de vacina contra VSR

6 de outubro de 2026

O Instituto Butantan já iniciou o processo de transferência de tecnologia para produzir no Brasil a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês e crianças pequenas. A iniciativa é realizada em parceria com a farmacêutica Pfizer e prevê que todas as etapas de fabricação sejam realizadas no país até 2034.

A produção nacional será implantada de forma gradual. Segundo informações da parceria, atualmente estão em andamento atividades de planejamento, transferência de conhecimento, treinamento de equipes e adequação da infraestrutura necessária para a fabricação do imunizante no Butantan.

A previsão é que, a partir do segundo semestre de 2027, o instituto passe a receber o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), etapa que permitirá avançar na fabricação local. Até a conclusão do processo, a produção será realizada em diferentes fases, até que o Butantan consiga fabricar a vacina integralmente, desde o início.

A expectativa é que a produção brasileira alcance 8 milhões de doses por ano, que deverão ser destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda neste mês, o Butantan deve encaminhar ao Ministério da Saúde cerca de 1 milhão de doses com o rótulo da instituição. Antes disso, aproximadamente 3,5 milhões de doses já haviam sido entregues com a identificação anterior.

Vacina protege bebês nos primeiros meses de vida

Atualmente, a vacina contra o VSR oferecida pelo SUS é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A aplicação faz com que a mãe produza anticorpos que são transferidos para o bebê durante a gestação, garantindo uma proteção temporária após o nascimento.

A estratégia é especialmente importante porque os primeiros seis meses de vida estão entre os períodos de maior risco para formas graves da infecção. O Ministério da Saúde informa que o VSR pode provocar bronquiolite e pneumonia, principalmente em recém-nascidos e crianças pequenas.

A vacina é aplicada em dose única a cada gestação e está disponível gratuitamente pelo SUS. A distribuição ocorre para estados e municípios de todo o país.

Dados divulgados em 2026 mostram o impacto da vacinação materna. No primeiro semestre deste ano, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre bebês menores de seis meses caíram de 14.061 para 6.674, na comparação com o mesmo período de 2025. A redução foi mais expressiva justamente entre os bebês que podem ser protegidos pela vacinação das gestantes.

Além da vacinação durante a gravidez, o SUS também utiliza o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para prematuros e crianças de até dois anos que apresentam determinadas condições de saúde que aumentam o risco de complicações pelo VSR.

Com a transferência de tecnologia, o Brasil busca ampliar a autonomia na produção do imunizante e garantir uma oferta nacional de longo prazo para o programa de vacinação do SUS.