Funcionária de banco é presa suspeita de desviar R$ 2 milhões de idosos

2 de outubro de 2026

Uma funcionária do Banco Santander foi presa em Miguelópolis, no interior de São Paulo, suspeita de participar de um esquema que teria desviado cerca de R$ 2 milhões de contas bancárias de clientes idosos e vulneráveis. Segundo as investigações, os crimes ocorreram entre 2024 e 2026.

Um homem de 56 anos, apontado como companheiro da funcionária, também foi preso. A Polícia Civil cumpriu os mandados de prisão preventiva na segunda-feira (28), durante as investigações sobre os desvios.

Os dois são investigados por furto mediante abuso de confiança contra pessoas idosas e vulneráveis. Conforme a apuração policial, a relação entre a funcionária e os clientes teria sido utilizada para facilitar o acesso a informações e permitir a realização das movimentações financeiras sem o conhecimento das vítimas.

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, os desvios começaram em 2024. A mulher utilizava sua função no banco para se aproximar dos correntistas e identificar possíveis vítimas.

Depois de estabelecer uma relação de confiança, ela teria utilizado informações e dados aos quais tinha acesso em razão do trabalho para realizar operações financeiras indevidas nas contas dos clientes.

Ainda segundo a polícia, a investigada fazia saques em nome das vítimas e posteriormente entregava os valores ao homem. Ele, de acordo com a investigação, tinha livre acesso à agência bancária, o que teria facilitado a retirada e circulação do dinheiro.

As autoridades também encontraram indícios de que o casal utilizava diferentes contas para movimentar os valores e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Dinheiro teria sido movimentado em apostas

A investigação aponta ainda que parte dos recursos desviados teria sido encaminhada para plataformas de jogos e apostas, em uma tentativa de dar aparência legal aos valores.

Segundo a polícia, o esquema funcionaria por meio de transferências para essas plataformas. Depois, uma suposta vitória era registrada e o dinheiro retornava às contas dos investigados como se fosse resultado de ganhos obtidos nas apostas.

A suspeita é de que esse mecanismo tenha sido utilizado para lavar parte do dinheiro obtido ilegalmente, dificultando a identificação da origem dos recursos.

A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar todas as vítimas, dimensionar o valor total dos prejuízos e esclarecer a participação de outras pessoas que eventualmente possam ter colaborado com o esquema.

Santander diz colaborar com investigação

Em nota, o Banco Santander informou que sua área de Inteligência está colaborando com a Polícia Civil de São Paulo para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.

O banco também afirmou que nenhum cliente terá prejuízo financeiro em razão do caso.

Questionada sobre uma possível falha nos sistemas de segurança, a instituição declarou que conta com mecanismos de prevenção, identificação e combate a fraudes, além de procedimentos para detectar eventuais desvios de conduta.

As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá analisar documentos, movimentações bancárias e demais elementos para esclarecer como os valores foram retirados das contas e posteriormente movimentados.