Emendas de Flávio Bolsonaro pagam entidade investigada
Emendas parlamentares indicadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) foram utilizadas para financiar pagamentos a empresas investigadas pela Polícia Federal e a uma entidade classificada pela Receita Federal como “inexistente de fato”, segundo levantamento publicado pelo UOL nesta quinta-feira (1º).
De acordo com a reportagem, mais de R$ 300 milhões foram reservados para emendas de Flávio Bolsonaro no orçamento federal desde 2020. O levantamento rastreou empresas e entidades contratadas por órgãos públicos que receberam esses recursos.
Um dos casos envolve o Instituto de Medicina e Projeto (IMP). Em 2024, Flávio destinou R$ 3,1 milhões para ações de atenção básica à saúde em Mesquita (RJ). Desse total, R$ 666 mil foram pagos ao instituto em agosto de 2025.
Em junho de 2026, a Receita Federal classificou o IMP como “inexistente de fato”. Segundo documento citado na reportagem, o órgão apontou razões que indicariam que a empresa teria sido constituída para a prática de fraude fiscal.
O instituto também é alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Segundo o UOL, o órgão apontou suspeitas de irregularidades em contratos firmados com a Prefeitura de Mesquita, incluindo a ausência de estudos técnicos antes da transferência da gestão de serviços de saúde e possíveis indícios de conluio em uma concorrência.
Ainda conforme a reportagem, uma pessoa que aparecia como responsável pela assinatura de documentos da entidade estava morta desde 2017. Em abril deste ano, a Prefeitura de Mesquita determinou que o instituto não poderia firmar novos contratos com o município por dois anos.
Empresas investigadas pela PF
A apuração também identificou recursos de emendas destinados a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades em licitações envolvendo equipamentos de proteção balística para a Polícia Militar do Rio de Janeiro.
A Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil entre maio e junho por meio de convênios que contaram com emendas de Flávio. Já a Inbra-Tecnologia recebeu R$ 1,1 milhão no mesmo convênio. Uma nota de empenho do Ministério da Justiça relaciona uma emenda do senador à compra de 342 capacetes balísticos.
As empresas foram alvo da Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Federal em 2023. A investigação apura suspeitas de combinação em contratos públicos para fornecimento de equipamentos de proteção.
Outros recursos sob questionamento
O levantamento também cita uma emenda de R$ 4 milhões destinada, em 2025, a um projeto esportivo relacionado ao Vasco da Gama. Segundo o UOL, a iniciativa entrou na mira da Controladoria-Geral da União (CGU), após R$ 684 mil terem sido destinados a um único fornecedor.
Outro caso envolve uma emenda de R$ 200 mil enviada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), para um projeto esportivo em Taquara, no Rio de Janeiro. A reportagem cita mensagens que mostram um contato de Robson Calixto, conhecido como Peixe, com uma assessora de Flávio para tratar da liberação dos recursos.
Em Resende (RJ), outra emenda do senador resultou em nove pagamentos à empresa Valle Sul, que somaram R$ 6,61 milhões, para obras de revitalização do aeroporto municipal. Segundo reportagem da revista piauí citada pelo UOL, máquinas da empresa foram vistas operando em uma propriedade particular ligada a um amigo de Flávio.
O que diz Flávio
Procurado pelo UOL, Flávio Bolsonaro afirmou que seu gabinete não indica empresas para os órgãos que recebem suas emendas. Segundo o senador, a escolha e a contratação dos fornecedores são responsabilidades dos beneficiários dos recursos.
A Prefeitura de Mesquita também afirmou que a escolha das empresas responsáveis pelos serviços cabe ao município. A administração informou que rescindiu os contratos com o IMP, aplicou multa de R$ 3 milhões e declarou a entidade inidônea por dois anos. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.


