SAMU treina equipes para estudo com polilaminina

21 de setembro de 2026

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) da capital paulista será preparado para identificar e encaminhar pacientes com lesões agudas na medula espinhal que possam participar de um estudo clínico com polilaminina, uma substância em pesquisa para o tratamento de lesões medulares.

A iniciativa foi articulada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de adaptar os protocolos de atendimento e capacitar as equipes de emergência para reconhecer rapidamente pacientes que atendam aos critérios definidos pela pesquisa. Os casos elegíveis deverão ser encaminhados ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

O treinamento foi definido em reunião realizada na sexta-feira (18). Os ensaios clínicos estão previstos para começar em 24 de setembro, inicialmente com cinco voluntários. Para participar, os pacientes deverão ter sofrido uma lesão medular há menos de 72 horas e atender a todos os demais requisitos estabelecidos pelos pesquisadores.

Pesquisa será realizada com cinco voluntários

Nesta primeira etapa, o estudo será direcionado a pessoas com lesões completas e agudas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas e que tenham indicação cirúrgica.

A inclusão dos pacientes não será automática. Cada caso precisará passar por uma avaliação para verificar se todos os critérios clínicos definidos pelo protocolo da pesquisa são atendidos. Depois da aplicação da polilaminina, os voluntários serão acompanhados durante seis meses.

O treinamento do SAMU é considerado importante para que o atendimento e o encaminhamento ocorram dentro da janela de tempo prevista pelo estudo. Caso seja necessário ampliar a área de recrutamento, o treinamento realizado com as equipes da capital poderá servir de referência para serviços de urgência de municípios próximos.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é um medicamento experimental desenvolvido a partir da laminina, uma proteína naturalmente produzida pelo organismo e que participa da manutenção das estruturas celulares e da regeneração do tecido nervoso.

Em uma lesão medular, estruturas responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro e outras regiões do corpo podem ser danificadas. A pesquisa busca avaliar se a substância pode contribuir para a regeneração dos tecidos e para a recuperação funcional após esse tipo de trauma.

O estudo está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.

Estudo ainda está em fase inicial

A primeira fase do ensaio clínico foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem como principal objetivo avaliar a segurança da polilaminina.

Caso os resultados sejam considerados adequados, a pesquisa poderá avançar para as fases 2 e 3, que deverão avaliar a eficácia do tratamento em grupos maiores de participantes. A solicitação de registro comercial do medicamento somente poderá ocorrer após a conclusão da terceira fase.

O Ministério da Saúde informou que participou da estruturação do projeto e destinou recursos para a etapa de pesquisa básica antes do início dos testes em seres humanos.

A mobilização do SAMU integra a estratégia de aproximar a pesquisa clínica da assistência prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que pacientes atendidos em situações de emergência possam ser rapidamente identificados e, quando elegíveis, encaminhados para avaliação no estudo.