SUS passa a oferecer novo teste para rastrear câncer de intestino
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar um novo exame para o rastreamento do câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. A medida foi oficializada pelo Ministério da Saúde e amplia as alternativas para identificar a doença antes do aparecimento de sintomas.
O exame incorporado à rede pública é o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que detecta a presença de sangue oculto nas fezes. O método é considerado mais preciso do que o teste tradicional baseado em guaiaco e pode ser realizado a partir de uma única amostra, sem a necessidade de restrições alimentares antes da coleta.
A nova estratégia de rastreamento será direcionada a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas e possuem risco considerado padrão para a doença. A recomendação é que o exame seja realizado a cada dois anos.
O FIT procura identificar pequenas quantidades de sangue nas fezes que podem estar relacionadas a lesões no intestino, incluindo pólipos que podem evoluir para um câncer. Um resultado positivo, no entanto, não significa que a pessoa tenha câncer. Nesses casos, é necessária uma investigação complementar, geralmente com colonoscopia, para identificar a origem do sangramento e confirmar ou descartar a presença de lesões.
Como funciona o novo exame
O teste é feito por meio da coleta de uma amostra de fezes, posteriormente analisada em laboratório. Diferentemente de métodos mais antigos, o FIT utiliza anticorpos para identificar a presença de hemoglobina humana.
Segundo documentos técnicos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o FIT apresenta maior sensibilidade para a identificação de lesões pré-cancerosas e câncer colorretal quando comparado ao teste de sangue oculto baseado em guaiaco.
Outra vantagem é a facilidade de preparação. O paciente não precisa fazer mudanças específicas na alimentação antes da coleta, e apenas uma amostra é necessária.
Importância do rastreamento
O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no Brasil. Dados da Conitec estimam cerca de 45,6 mil novos casos da doença em 2025, considerando homens e mulheres. Em 2023, foram registrados 23.953 óbitos por câncer de cólon e reto no país.
A doença apresenta potencial para ser detectada precocemente porque muitos tumores se desenvolvem a partir de pólipos que podem permanecer no intestino durante anos antes de se transformarem em câncer. A identificação e retirada dessas lesões pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da doença.
A incorporação do FIT ao SUS representa, portanto, uma tentativa de ampliar o rastreamento e facilitar o acesso da população a um método menos invasivo que os exames endoscópicos.
É importante destacar que pessoas que apresentam sintomas, histórico familiar relevante ou outros fatores de risco podem precisar de uma estratégia diferente e devem procurar avaliação médica. O rastreamento de rotina para pessoas assintomáticas não substitui a investigação de sinais que possam indicar uma doença já existente.


