Grupo investigado planejava ataques ao Planalto e local de debate eleitoral
Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal teria planejado ataques contra prédios públicos em Brasília, incluindo o Palácio do Planalto e o local onde seria realizado um debate do segundo turno das eleições de 2026. As informações foram obtidas durante as investigações da Operação Rede Interrompida, deflagrada na semana passada.
A operação levou à prisão de oito pessoas em cinco estados. Segundo os investigadores, mensagens trocadas pelos suspeitos em aplicativos de comunicação revelaram discussões sobre possíveis atentados e formas de acessar prédios públicos.
Entre os materiais analisados estavam mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de uma planta do Palácio do Planalto. De acordo com a investigação, os integrantes discutiam possíveis rotas de entrada e saída do edifício.
O conteúdo também apontou que o grupo teria falado sobre a possibilidade de explodir o prédio onde ocorreria um debate entre os candidatos eleitos para o segundo turno, embora não tenha sido identificado qual emissora sediaria o evento.
Grupos em aplicativos
Os investigados utilizavam pelo menos dois grupos no Telegram. Um deles reunia mais de 600 participantes, enquanto o segundo era mais restrito, com aproximadamente 46 integrantes.
Segundo os investigadores, os participantes considerados mais radicalizados eram direcionados para o grupo menor. Nesse espaço, além de mensagens extremistas, teriam circulado conteúdos relacionados à preparação de ações violentas.
O material foi analisado pelo Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública especializado na investigação de crimes praticados no ambiente digital.
Um relatório produzido pelo laboratório classificou o conteúdo encontrado como de alto grau de periculosidade. Além dos planos envolvendo explosivos, as conversas também apresentariam disseminação de ideologia neonazista, misoginia, incentivo à violência e tentativa de identificar pessoas dispostas a cometer assassinatos.
Investigação continua
Para a Polícia Civil, os diálogos indicam que não se tratava apenas de manifestações virtuais, mas de discussões que poderiam evoluir para ações concretas. Por esse motivo, os investigadores decidiram agir antes que os planos fossem colocados em prática.
Celulares e computadores apreendidos durante a operação continuam sendo analisados pelas autoridades. O objetivo é identificar a participação individual de cada investigado, além de verificar se havia outras pessoas envolvidas na articulação.
Os suspeitos são investigados por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.
O Ministério da Justiça também destacou a importância do monitoramento de grupos que apresentam sinais de radicalização e preparação para atos violentos. A investigação busca agora esclarecer a extensão dos planos e verificar se existiam outras ações previstas pelo grupo.


