O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, denunciou três policiais civis, um policial militar e um advogado de Itu pelos crimes de extorsão, abuso de autoridade e associação criminosa. O processo tramita sob sigilo na Justiça e teve como base uma investigação iniciada após uma abordagem policial realizada em 2025.
De acordo com a denúncia, o caso começou quando um casal que ocupava um veículo de luxo foi abordado por policiais militares. Durante a revista, foi encontrada uma pequena porção de haxixe. O motorista assumiu ser o proprietário da droga, mas a mulher que o acompanhava também foi conduzida pelos policiais.
Ainda segundo o Ministério Público, após a abordagem os agentes realizaram diligências nas residências do casal. Na casa do motorista teriam sido encontrados drogas e dinheiro, enquanto na residência da mulher outro veículo foi apreendido. A investigação aponta que parte dessas ações teria ocorrido sem autorização judicial.
As vítimas foram levadas para a Delegacia Central de Itu, onde, conforme a denúncia, teria começado a suposta tentativa de extorsão. O Gaeco afirma que os policiais exigiram R$ 250 mil para liberar a mulher e devolver os veículos apreendidos. Desse total, R$ 50 mil deveriam ser pagos imediatamente por meio de transferência via Pix, enquanto o restante seria quitado posteriormente.
O Ministério Público também acusa um advogado de participar do esquema. Conforme a investigação, ele teria sido chamado até a delegacia e utilizado um computador da própria Polícia Civil para elaborar um contrato fictício de honorários advocatícios no valor de R$ 250 mil, documento que serviria para dar aparência de legalidade ao suposto pagamento exigido pelas autoridades.
A negociação, entretanto, não chegou a ser concluída. Segundo o Gaeco, o noivo da advogada da família das vítimas, que é policial civil em outra comarca, desconfiou da situação, acionou colegas e impediu que o pagamento fosse realizado. Com isso, apenas o flagrante do motorista pelo porte da droga foi formalizado, e a mulher acabou sendo liberada sem que o dinheiro fosse entregue.
A denúncia oferecida pelo Ministério Público reúne acusações de extorsão, abuso de autoridade e associação criminosa contra os envolvidos. A Justiça deverá analisar o caso para decidir se recebe a denúncia e transforma os investigados em réus no processo criminal. Até que haja uma decisão definitiva, todos os denunciados permanecem amparados pelo direito constitucional à presunção de inocência.